A política brasileira é interessante de qualquer ponto de vista que se queira vê-la. A desculpa para muitas mazelas é a ditadura que governou o país por 21 anos, até que o poder fosse devolvido para os civis. Quis o destino que Tancredo Neves jamais assumisse o poder já que acometido de uma enfermidade não resistiu.

Talvez aí neste ponto da história, uma série de fatores tenha contribuído para atual estado de coisas que vimos num passado recente com uma oposição massacrada, anulada e corrompida pela situação. José Sarney, o senhor feudal do Maranhão, tinha direito a quatro anos de mandato, porém e sabe-se-lá porque, o homem encasquetou que queria mais um ano no poder e moveu mundos e principalmente fundos para ter o quinto ano de mandato.

A história conta que jamais e até então e àquela altura nunca se havia gastado tanto para se conseguir alguma coisa, e estava inaugurada a era do toma-lá da-cá. Na ocasião, um dos mais ferrenhos opositores e denunciadores das maracutaias do governo era o então tosco e rude Luiz Inácio da Silva, o Lula, que mais tarde incorporaria o apelido ao nome. Lula referia-se a Sarney em termos pouco republicanos e dignos e o maranhense era para o líder sindical e sua gente a personificação ampla, geral e irrestrita do mal.

Acabou a era Sarney e veio o alagoano Fernando Collor de Mello, e sua afetada e estudada indignação com tudo e com todos, além do ar imperial e permanentemente irritadiço que denotava esconder algo de muito grave. 

Junto com Color de Mello veio o funesto PC Farias, um mafioso alagoano de poucas palavras e muito mistério. Aliado a tudo isto, sabe-se que vieram os milhões de dólares, o dinheiro farto e abundante que provocou deslumbramento em Collor e sua quadrilha. O problema foi a partilha do butim e a corda roeu justamente no âmbito familiar da dinastia Collor de Mello. O finado Pedro, denunciou o irmão Fernando e o resto da história é conhecida por todos,  com o devido apeamento do poder do segundo.

Indo Collor de Mello veio Itamar Franco com seu topete démodé, seus rompantes de gênio, a volta do Fusca, o plano Real e não fosse por uma modelo com as partes pudendas de fora em pleno sábado de carnaval, o governo do baiano de Juiz de Fora, teria passado em brancas nuvens. Por ocasião da musa desnuda, o que se viu foram indignadas senhoras tirando das salas os filhos e principalmente os maridos.

Para não perder o foco dos escândalos, os dois governos de Fernando Henrique Cardoso trouxeram as suas mazelas, mas nada que provocasse torpor ou espanto, até que Lula ascendeu ao poder com seus companheiros desde sempre ávidos por grana, muita grana, sede de poder e uma propensão imensa por escândalos de todos os tipos. Escândalos que não cabem num editorial e há de se dizer que por muito menos Collor foi despejado do Planalto até que voltasse e se compusesse com ninguém menos do que Lula e sua turma.

O Mensalão foi então na sua época o maior roubo político da história da democracia brasileira, não pelos seus valores mas por causa da quebra de confiança. A Petrobras foi dilapidada e em troca compraram a consciência do povo com imensos benefícios mascarados em bolsas disto e daquilo, garantindo o voto de milhões de pessoas.

A cada nova fase da Operação Lava Jato ficava claro que uma quadrilha de larápios só queria mesmo roubar o Brasil e o fizeram com maestria ímpar. Lula como sempre nunca soube de nada e de quebra xinga a tudo e a todos, sem o menor constrangimento. Empresários, políticos, empresários corruptos e gente corrompida estão devidamente presos.

Porém, Sérgio Moro e os procuradores de Curitiba, fizeram tudo de afogadilho e os processos contra Lula foram anulados e o ‘inatacável juiz Moro aceitou um cargo no governo Bolsonaro, mas isto é um assunto para daqui a pouco.

Lula se foi e depois dele veio D. Dilma Rousseff, de gênio irascível e inconstante que depois de uma reeleição e um meio turno no segundo mandato foi devidamente despachada dando lugar ao seu vice Michel Temer que substituiu a quadrilha petista pela quadrilha emedebista.

Então veio a eleição que coroou o capitão tosco falastrão com seus filhos boquirrotos e intolerantes, todos devidamente ungidos pelo voto popular e aparentemente sempre em busca de confusão e sem a menor paciência com a imprensa e alguns setores da sociedade.

Com Bolsonaro, ascendeu ao poder uma malta de gente atrasada, retrógrada, intolerante, cafona e altamente despreparada, disposta em nome de um conservadorismo de botequim a não deixar pedra sobre pedra. Açulados por Olavo de Carvalho, o ex-astrólogo prolixo e confuso que é tido por filósofo e também como o guru inspirador deste governo arrumaram um monte de confusão.

Com um linguajar chulo, repleto de palavrões, Olavo constantemente atacou os militares em especial o vice-presidente Hamilton Mourão que sequer se dignou a responde-lo, para agravar ainda mais, o também boquirroto e funesto Steve Bannon, guardião da direita intransigente, racista e xenófoba americana que resolveu meter a colher onde não é chamado. 

Um dos alvos de Bolsonaro e sua gente, foi o Supremo Tribunal Federal (STF) e as constantes ameaças à democracia brasileira, que provocaram insegurança e stress desnecessário. Aliás, e até que Bolsonaro fosse enquadrado pelo STF em setembro do ano passado, o pelotão virtual comandado pelas milícias digitais botou pavor e é investigada, e é de se esperar que não dê em nada, tal como o caso da rachadinha de Flávio Bolsonaro, que patina de recurso em recurso nos tribunais. Tem também a narrativa de que as urnas eletrônicas não são confiáveis, no que foi constantemente desmentido.

Bem, em outubro teremos eleições e a democracia brasileira vai eleger um novo presidente ou renovar o mandato de Bolsonaro. No meio destes, está Sérgio Moro que pretende ser a terceira via, justo ele que foi defenestrado do atual governo para não se submeter aos caprichos do capitão mandão.

No meio disto tudo, há o descaso de Bolsonaro com a pandemia, negligenciando a compra de vacinas ou embarreirando a imunização de crianças e tentando empurrar garganta abaixo da população remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19.     

Lula, Bolsonaro e Moro; cada qual com os seus problemas, mazelas, dificuldades e contradições. Há quem esteja disposto a matar e a morrer por eles, na mais polarizada disputa eleitoral de todos os tempos. Um deles será o próximo presidente gostando ou não deles… 

É ou não é muito estranha a política brasileira?

  

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