Oswaldo Barros Velloso

Conhece o goleiro Velloso? Antes de responder, antecipo, não é o ex-goleiro do Palmeiras e do Atlético Mineiro. Estou falando de Oswaldo Barros Velloso, ex-Fluminense e considerado até hoje um dos 20 goleiros com mais partidas pelo tricolor carioca, 22 jogos, sem levar gols. 

Pois Velloso entrou para a história por defender o primeiro pênalti em um campeonato mundial. Foi no segundo jogo da seleção brasileira, vitória por 4×0 contra a Bolívia, em 20 de julho. E tudo aconteceu lá no Uruguai, em 1930, na primeira Copa do Mundo ganha pela seleção uruguaia. É, o Uruguai da tradicional La Celeste ou Los Charrúas, como ficou conhecida mundialmente com duas Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

A Copa do Mundo é um torneio que gera heróis e bandidos. Frustra projetos e entrega conquistas inimagináveis. Transforma coadjuvantes em atores principais. Perpetua seres mortais. E ninguém gerou ou gera mais protagonistas do que o futebol brasileiro. Esta terra torta e desengonçada, virou sinônimo de excelência do esporte mais popular do planeta. 

Muitos festejados e exaltados em todos os lugares por onde andam. Por sinal, já ouviu falar em Anfilogino Guarisi? 

Pois é, conhecido como Filó, jogava no Corinthians quando foi contratado pela Lazio. Por ser filho de italiana ganhou o direito de defender a Squadra Azzurra, na Copa do Mundo de 1934, realizada na Itália. Foi o primeiro brasileiro campeão do mundo. Antes de viajar para a Europa, Filó, jogou pela seleção brasileira, inclusive ao lado de Friedenreich, o craque da época.

Como esquecer a seleção de 1958. Nossa primeira conquista. Nossa primeira Copa. A seleção que encantou o mundo. Para muitos, superior até a seleção de 1970, considerada a melhor de todos os tempos. Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito, Didi e Garrincha; Vavá, Pelé e Zagallo (foto da capa).

Foram eles que pavimentaram o caminho. Que construíram com dificuldades extremas esse legado de glórias. Sem passado não existe futuro! Sem eles, sem a determinação deles, talvez o caminho teria sido mais difícil para os que vieram depois.

Cinco estrelas que brilham sobre o escudo da nossa seleção. A primeira a ser tri-campeã e a única penta do mundo. Aqueles que estiveram lá, vencidos e vencedores, deixaram uma história marcada por lutas e sacrifícios. Bem ou mal, certo ou errado, injusto ou não, merecedor ou indigno, o que seja, firmaram nosso valor como povo, nossa cultura, um quinhão que tem cor e alvo. E nada gera mais respeito e empatia do que ver a amarelinha em campo.

 Dela se espera sempre o inusitado. O ficcional. O inexplicável entre tempo e espaço. Precisão. Ginga e gingado. Dança que encanta, que cativa e apaixona! A amarelinha esperança! Esperança de toda gente. Esperança dos pobres, dos desvalidos e dos explorados do mundo. Esperança dos miseravéis e dos esquecidos.

Amarelinha esperança! Esperança nas favelas, nos becos, nos campos de chão batido de pés descalços sem direção dos muitos brasis. Amarelinha esperança! Esperança dos sem teto, sem trabalho e sem comida. Esperança dos sem escola sonhando o sonho dos sonhados.

Amarelinha esperança! Esperança altaneira de chagas abertas que sangra sem cessar. Esperança que não excita em lutar sem jamais se curvar, baixar a cabeça ou o olhar. Amarelinha esperança! Esperança, sim! Vingador pelos campos do mundo. Esperança que surge no grito contido contra toda indignidade humana. Amarelinha esperança! Esperança! Esperança! Centeio que cultiva a terra e semeia talentos aos borbotões.   

Amarelinha esperança! Esperança que nasceu pobre quantos e tantos meninos e meninas de todos os cantos que virou Pelé. Filhos dos filhos e filhos do Brasil real. Cidadão do mundo. O maior de todos. Aquele que transformou o número 10 em referência. Amarelinha esperança! Esperança de um Brasil que Cabral não descobriu. Esperança de um país que ainda não foi descoberto. 

Amarelinha esperança! Esperança que não termina depois do tempo regulamentar. Esperança que fica. Esperança que não cessa. Que acende a cada sorriso. A cada gesto. A cada abraço. Esperança na nota de um samba. Num ato fraterno. Numa mão estendida. Esperança que não se acaba sem caber. Esperança que nasce a cada amanhecer.

Gerald D

By Gerald D

Gerald D é um atento observador da vida, da política, das artes, da música, da literatura e de tudo o que pode enriquecer alguém culturalmente. Gremista desde sempre, de quebra também escreve com muita propriedade sobre futebol

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