Ainda sem entender nada, nos transformamos em americanos do norte, independente da região onde nascemos. Idioma, nível social ou crença.

Aos primeiros passos conhecíamos os livros de fantasias, depois, mais crescidos, vinham os gibis, o velho oeste e os super-heróis. Alguns de caráter um tanto quanto duvidoso.

Os personagens da Disney se multiplicavam nas revistas em quadrinhos para o deleite na escola entre cadernos ou em casa debaixo do travesseiro longe dos olhos ditadores dos mais velhos.

Depois surgiam aqueles magazines de conteúdo meio suspeito e pervertido, como dizia vovó Maria.

Da curiosidade ao prazer que todo garoto sentia ao trocar páginas coloridas de uma revista masculina com aquelas mulheres nuas de peles rosadas, bocas carnudas e vermelhas, coxas roliças, peitos fartos e sem defeitos, povoando os sonhos e transformando em gênios da criatividade em viagens que nem Kubrick seria capaz de conceber.

Essas publicações, aliás, desenvolvem até hoje, agora mais online, um papel social extremamente relevante à saúde pública, direcionada principalmente aos adolescentes.

O que seria dessa meninada do passado de testosterona no limite máximo sem internet, sem celular, com liberdades restritas, sem uma velha Playboy ao alcance dos olhos em uma das mãos?

E entre práticas saudáveis e histórias de superação e aventuras, não podemos esquecer da televisão e do cinema.

Os filmes de ação, suspense, romances e comédias, onde a dupla Stanley Lauren e Oliver Hardy são imbatíveis.

Eu sei, sou velho, mas não tanto!

Cinema não têm idade.

Não existe limites! Regras, espaço e ordem estabelecida para a criatividade humana. Ela é o sinal mais claro da existência de um Ser Divino sobre todos nós.

Seja de qualquer lugar ou tempo, não importa.

Arte não têm data de validade.

Das matinês aos domingos quando Tarzan era o protagonista principal e Johnny Weissmuller o melhor de todos. Capaz de enfrentar crocodilos e  caindo, na maioria das vezes, em armadilhas inocentes de brancos malvados, sempre salvo pela Chita.

Sua garota ou namorada, trocou a cidade grande e a civilização para viver na selva com o seu grande amor. 

E não era qualquer mulher, era Maureen O’Sullivan, um mulherão, ou nave, na linguagem da gurizada de hoje. 

Dá um Google aí e confere! Mas lembre-se, naquela época não existia photoshop e alguns truques de beleza como existem hoje.

Luzes, flash e pronto. O resultado revelado dias depois.

Maureen é de uma linhagem de grandes mulheres do cinema. Deusas próximas da perfeição que despertavam os sentidos libidinosos mais retraídos de homens e mulheres.

Como resistir as pernas perfeitas de uma Betty Gable, assegurada pela 20th Century Fox, por US$ 1 milhão; o corpo e os decotes de Jane Russell, a cintura da insuperável Betty Davis; e a personalidade de Ava Gardner, aquela que enlouqueceu Frank Sinatra e que o poeta e cineasta Jean Cocteau definiu como o “mais belo animal do mundo”.

Nos vinte anos em que morou em Cuba, Ernest Hemingway escreveu suas maiores obras, além de receber na Finca Vigia célebres personalidades como Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Jean-Paul Sartre, Marlene Dietrich, figuras da nobreza europeia e Ava Gardner, que iluminava à piscina do rancho nadando solitária e nua.

São belezas legendárias – sedutoras irresistíveis da história antes, muito antes da tecnologia dos dias atuais, onde qualquer um fica bonito e sem nenhum defeito.

Marilyn Monroe: eterna diva do cinema

A lista é grande e sem pensar muito podemos lembrar de Jane Fonda, Brigitte Bardot, Sophia Loren, Grace Kelly, Elizabeth Taylor, Lauren Bacall e Marilyn Monroe, alguns exemplos de mulheres bonitas talentosas, independentes e avançadas. 

Homens e mulheres não resistiam ao primeiro contato com Marilyn. Segundo seu amigo, o escritor Truman Capote, todo homem que se aproximava dela passava a pensar só naquilo.

Aliás, é um erro achar que Marilyn era burra e ingênua. Pelo contrário, era uma mulher inteligente e culta. Segundo Ella Fitzgerald, Monroe estava vinte anos à frente do seu tempo.

Calma mulheres, também havia homens bonitos. Por quê não?

Poderia citar dois: Marlon Brando e Paul Newman. Além do enorme talento, eram homens charmosos e bonitos.

E chegamos aos clássicos. Aqueles filmes que ficaram marcados em nossas memórias para sempre. Muitos foram fundamentais para a consolidação do cinema como linguagem de arte.

Películas que Veríssimo, o escritor, chama de Super. Obras primas que não são esquecidas e que devemos por obrigação civilizatória, assistir de tempos em tempos.

Filmes que a gente debate numa mesa de bar ou restaurante com todos entusiasmados. Discutindo ideias e detalhes de câmeras, de roteiro e de atuações. 

De Fellini ou Bergman até chegar ao perfeccionismo de um Akira Kurosawa, que influenciou gente de peso em Hollywood como Steven Spielberg, George Lucas e Martin Scorcese.

O Western que povoava a imaginação dos meninos da rua em aventuras pelas ruelas do bairro brincando de pistoleiros com armas de madeira ou correndo pelo quintal da casa usando a vassoura como um Appaloosa imaginário correndo solto pelas planícies do oeste.

Adolescentes, descobrimos que muitos daqueles personagens não passavam de bandidos e alguns deles usavam azul marinho da cavalaria. 

Que os índios não eram sanguinários como desenhados pelo cinema. Eram comunidades que desejavam apenas viver em paz e bem longe dos “caras pálidas”. 

Dos milagres do cinema, foi a capacidade de mudar personalidades, como, por exemplo, transformar o general Custer, um assassino contumaz de índios, em herói.

A revista Hollywood Reporter – eles adoram uma lista – reuniu personalidades ligadas ao cinema e pediu uma lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos de cada um dos participantes para depois fazer a lista definitiva.

Erros foram cometidos. E não poderia ser diferente. O imediato falou mais alto. A memória recente e a falta de critérios detonaram a tal seleção. Filmes que deveriam ser lembrados foram esquecidos e filmes que deveriam ser esquecidos foram lembrados.

Uma das causas de Alzheimer é a falta de atividades mentais que fogem ao cotidiano. Que tal caneta e papel e uma listinha dos seus filmes favoritos?

Gerald D

By Gerald D

Gerald D é um atento observador da vida, da política, das artes, da música, da literatura e de tudo o que pode enriquecer alguém culturalmente. Gremista desde sempre, de quebra também escreve com muita propriedade sobre futebol

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