Foram os jogos Olímpicos da diversidade. 

Da leveza. Da superação. Da beleza.

Da harmonia. Do perfeito sincronismo de corpo e espaço. 

Em um momento tão complicado para o mundo.

Os vencedores não foram apenas aqueles que subiram no pódio. 

Foram os jogos de posições claras e contundentes sobre o momento que vivemos.

E de um país em especial, onde não existe mais meio termo. 

Onde não é mais possível ficar em cima do muro como o isentão da turma do churrasco.

Onde polos estão bem definidos.

Não existe mais simpatias e muito menos ideologias, devidamente pulverizadas pela realidade.

Já não é mais uma questão de direita ou esquerda. 

É algo mais sério, mais profundo, capaz de revelar sem nenhum retoque quem é quem de fato. 

Quem é digno. Quem é honesto e integro.

É algo lógico, racional, humano e, para quem acredita, cristã.

Diante dessa brutal realidade brasileira existe dois lados bem definidos: civilidade ou barbárie.

Não é uma escolha difícil. 

Aliás, para quem é católico existe duas colunas bem definidas pela igreja: moral e ética.  

Duas bases separadas, mas uma não se sustenta sem a outra. 

Quem apoia um governo negligente, irresponsável, omisso, incompetente, que mata seu próprio povo de fome ou de coronavírus, pode ser qualquer coisa, menos o que imagina..

Estamos falando de caráter. De decência.

Estamos falando de dignidade ou simplesmente no jargão popular, vergonha na cara.

Para essas pessoas tenho uma palavra que é bem definidora e que talvez conheçam (talvez!): fariseus. 

Enquanto o tal presidente do Brasil recebia como homenagem do corpo de bombeiros, de Joinville, Santa Catarina, uma machadinha (trocando o M pelo R ficaria mais de acordo com o homenageado), os atletas brasileiros, que não receberam uma palavra de apoio do sujeito, faziam bonito em Tokyo.

Foram 21 medalhas conquistadas com muito esforço, suor e dedicação: sete de ouro, seis de prata e oito de bronze.

Um recorde em uma Olimpíada onde as mulheres e os atletas do Nordeste foram destaque.

Enquanto branquelas europeus azedos sem nenhuma identidade com o povo brasileiro reunidos entre supremacistas brancos, fascistas e neonazistas, homenageavam seu representante maior, nordestinos 100% brasileiros, levantavam medalhas para um país de um governo elitista que não investe no esporte e não gosta de pobre. 

E por fim, esqueçam o futebol sem graça dos marmanjos alienados e covardes, mais uma vez, com suas chuteiras coloridas e cabelos pintados, que esconderam o patrocinador do Comitê Olímpico do Brasil, prejudicando atletas olímpicos que dependem de patrocínio para treinar e competir e não são ricos como eles. 

Fiquem com as meninas do futebol do Brasil.

Elas nos representam de verdade.

Alguém poderá dizer, mas elas não ganharam nada!

É verdade.

Mas existem valores inegociáveis que estão bem acima de dinheiro, prestigio e troféus.  

Eu como brasileiro, orgulhoso da cor da minha pele, das minhas origens e dos povos originários do meu quinhão, ficarei com elas, com elas e com eles.

Ficarei com Rayssa Leal, de Imperatriz, Maranhão, do Skate; 

ficarei com Macris do vôlei ou com Mayra Aguiar do judô;

ficarei com Ítalo Ferreira, potiguar de Baía Formosa, do Surf e com Ana Marcela Cunha, campeã da maratona aquática; ficarei com Beatriz Ferreira, Abner Teixeira e Hebert Conceição do boxe;

ficarei com Isaquias Queiroz, de Ubaitaba, Bahia, da canoagem, e por fim, ficarei com Rebeca Andrade de duas medalhas: prata e ouro, da ginástica. 

Eles representam todos os demais, vencedores e vencidos, jamais derrotados. 

Ou como diz aquele ditado gaúcho, ‘não tá morto quem peleia!’

Não está morto quem luta pelos seus objetivos. Quem vai em busca de seus sonhos. Aqueles que não desistem jamais, não importa os obstáculos que apareçam pelo caminho. 

Esse é o legado deixado por eles e por elas. 

De jamais desistir. De jamais se entregar.

De acreditar sempre que é possível. 

Porque essa é a índole do brasileiro. 

Essa força jamais será vencida.

Esse poder de cair e levantar. De renascer das cinzas como bem definiu Fernanda Montenegro é próprio dessa gente nascida de pés no chão que não desiste jamais. 

Uma determinação que jamais, jamais será subjugada. 

Foto da capa: Isaquias Queiroz/COB

Gerald D

By Gerald D

Gerald D é um atento observador da vida, da política, das artes, da música, da literatura e de tudo o que pode enriquecer alguém culturalmente. Gremista desde sempre, de quebra também escreve com muita propriedade sobre futebol

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