O IDH dos Estados Unidos é igual ao dos países mais desenvolvidos do planeta, mas os números sociais são assustadores. Só em 2019, morreram 38.730 pessoas baleadas por armas de fogo. Algo impensável num país com IDH parecido. Mas os dados negativos não param por aí: 37 milhões de pessoas (11,4% da população), vivem abaixo do nível de pobreza; 6 milhões de crianças vivem em lares com insegurança alimentar; os estudantes acumulam dívidas impagáveis (1.7 trilhões de dólares); aqui não existe serviço universal de saúde e comboios de alta velocidade; foi o país com um dos desempenhos mais medíocres na proteção da saúde e da vida durante a crise de Covid-19; suas infraestruturas são deficientes, e precisam de reparação urgente; várias cidades do Midwest sofrem cortes de energia rotativos, típicos das cidades dos países menos desenvolvidos; o nível dos salários está há quatro décadas praticamente estagnado; cerca de 100.000 pessoas morrem anualmente por overdose de drogas; o país tem a mais alta taxa de encarceramento do mundo: 1,46 milhão de pessoas em 1.833 prisões estaduais, 110 prisões federais, 1.772 centros de detenção juvenil e 3.134 cadeias. O gasto chega a US$ 52 bilhões por ano, sendo que a taxa de encarceramento dos jovens negros é cinco vezes mais alta do que a dos jovens brancos; nos primeiros seis meses de 2022 morreram 277 pessoas em tiroteios com armas de guerra.

Especialistas da National Galleries da Escócia descobriram um autorretrato de Vincent Van Gogh, oculto no verso de outra famosa pintura do artista por meio de raio-x (foto da capa). Quando foram radiografar a tela para que ela pudesse ser exposta, perceberam que o quadro Head of a Peasant Woman (Cabeça de uma mulher camponesa, em tradução livre) contava com uma obra coberta por camadas de cola e papelão em seu verso. A pintura famosa mostra uma mulher na cidade de Nuenen, sul da Holanda, onde Van Gogh viveu entre dezembro de 1883 e novembro de 1885. Muito provavelmente ele pintou seu autorretrato no verso da tela tempos depois, período em que se mudou para Paris. A conservadora sênior da galeria onde está a tela, Lesley Stevenson, contou à BBC News, que se sentiu “chocada” ao descobrir o pintor “olhando para nós” no autorretrato até então desconhecido. Van Gogh tinha o hábito de reutilizar suas telas por falta de dinheiro (ele vivia em extrema dificuldade financeira), utilizando os dois lados dos quadros. Ele só se tornou um dos artistas mais famosos de todos os tempos após sua morte em 1890, aos 37 anos de idade.

O Clube de Regatas Vasco da Gama protagonizou uma das mais belas páginas do futebol brasileiro, em 1923. Após conquistar o título do campeonato Carioca, foi pressionado pelas elites na época a retirar em torno de 12 jogadores de seu elenco, pois eram negros, operários e analfabetos, nas palavras dos cartolas racistas. Eles, “não apresentavam condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”. Se negando a tal ação, o Vasco não disputou a principal liga no ano seguinte (1924). Com o sucesso do clube em alta na classe trabalhadora carioca e principalmente dentro de campo, em 1925, o Vasco voltou a disputar o campeonato com todos os seus jogadores, inclusive negros e operários. Motivo de orgulho dos torcedores cruz-maltinos, o documento é tratado como troféu e sua importância ainda repercute nos dias atuais. Publicada em 1924, a Resposta Histórica foi elaborada pelo então presidente do clube, José Algusto Prestes. Outro marco dos Guardiões da Colina foi ser o primeiro clube a ter um presidente negro, Cândido José de Araujo, entre 1904 e 1906. Essa história do Vasco será levado ao cinema pelas mãos de Lázaro Ramos, com previsão de lançamento para 2024.

Desde a criação do real, em julho de 1994, a nota de R$ 100 perdeu 86,09% de seu poder de compra. Significa dizer que, descontada a inflação, a nota de R$ 100, hoje, compra o mesmo que seria possível comprar, há 28 anos, com apenas R$ 13,91. Com a inflação acumulada entre julho de 1994 e junho desse ano em 653,06%, para ter o mesmo poder de compra com uma nota de R$ 100 em julho de 1994, o consumidor, hoje, teria de gastar R$ 748,04.

Depois de uma parada de quatro anos, em parte por causa da pandemia de Covid-19, a Bienal do Livro voltou a São Paulo com um saldo positivo, superando as expectativas de público e vendas. Ao longo de nove dias, 660 mil pessoas passaram pelo Expo Center Norte. No última edição, em 2018, teve um dia a mais e recebeu 663 mil visitantes no Pavilhão do Anhembi. Dessa vez, os gastos foram 40% a mais com livros do que na última edição. Uma média de sete livros por pessoa. De 28 de outubro a 15 de novembro, será a vez de Porto Alegre com sua tradicional Feira do Livro, na Praça da Alfândega, tradição da cidade há quase 70 anos. O dado assustador é descobrir que nos últimos cinco anos, o país fechou mais de 800 bibliotecas e abriu em média, um clube de tiro por dia sob o atual governo. Essa miséria moral e ética vai passar. Tem que passar. Fechar esses clubes de tiros e abrir Bibliotecas e Escolas de Artes país afora. Olha que maravilha seria! O que liberta não são armas, mas livros. É o conhecimento que livra o homem da ignorância e da submissão.

Gerald D

By Gerald D

Gerald D é um atento observador da vida, da política, das artes, da música, da literatura e de tudo o que pode enriquecer alguém culturalmente. Gremista desde sempre, de quebra também escreve com muita propriedade sobre futebol

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