Nietzsche escreveu que o verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher. O jogo mais perigoso.

Um exemplo é Jorge, um sujeito pra lá de atrapalhado.

Pois ele apareceu um dia com uma namorada. Uma sueca. Branquinha de cabelos dourados, olhos azuis e estudante de Física Quântica, em Harvard.

Magra, elegante, voz suave e baixa com a sensualidade e a feminilidade de uma Marilyn Monroe.

Caminhava com tanta delicadeza que parecia por vezes flutuar. Pernas longas e retas. Pés delicados e esguia como uma Angelina Jolie.

Quando o pessoal conheceu não acreditou. 

Como podia uma figura como o Jorge, sem falar inglês, indocumentado, feio e analfabeto conquistar um mulherão daqueles!

Com tudo para dar errado deu certo: o namoro prosperou. A sueca era cuidado, paixão e presentes.

Estavam sempre juntos trocando afagos e beijos pelas ruas da Davis Square, em Somerville. 

Dias coloridos e noites ardentes. 

Nada indicava problemas até o dia em que entrou outra sueca na parada.

Uma amiga de adolescência dos tempos de Visby.

Encontrou a visita sentada no sofá da sala numa conversa animada. Outra loira, igualmente bela.

Boca de traços vermelhos bem definidos com um sorriso largo e olhos azuis. Verdadeiros pedaços do paraíso.

Quando abraçou a amiga da namorada, sentiu o calor daquele corpo dos joelhos até o pescoço.

Ficaram naquela conversa animada de descobertas e revelações até quase três da manhã.

Logo cedo foram para Boston. Andaram por todos os lugares com muitas fotos e compras.

Um dia cheio e feliz, contou todo exibido.

No domingo ao invés de sossegar o facho como manda a santa previdência, correu para a casa da namorada.

Entrou e não encontrou ninguém. Elas tinham saído para tomar café na rua.

Sem nada para fazer e ansioso por um novo encontro, começou a andar pelo pequeno apartamento até parar diante de uma porta escancarada.

No chão, duas malas abertas.

Curioso entrou. Olhou uma, mexeu em outra. E, de repente, uma surpresa.

Antes da precaução o risco!

Diante de seus olhos uma pequena bolsa aberta revelava a coleção de calcinhas da sueca.

Todas delicadas e pequenas. Não resistiu. Impossível segurar o impulso. O instinto animal falou mais alto.

Pegou todas de uma só vez. Sentiu o perfume suave e inebriante. 

Beijou, esfregou em seu rosto numa viagem delirante. Até despertar para o perigo ao escutar a porta da sala abrindo e o som de vozes quebrando o silêncio.

Assustado, rapidamente colocou todas de volta.

Quando saia do quarto viu uma no chão aos seus pés. Uma minúscula de seda branca e rendas amarelas.

Sem tempo a perder colocou no bolso da calça e saiu antes que chegasse alguém.

Aquela noite demorou para pegar no sono. Não parava de pensar na sueca. Dormiu segurando aquela peça delicada e cheirosa junto ao travesseiro.

Na segunda amanheceu meio macambúzio. Lembrou que a namorada estava na faculdade e a amiga em casa sozinha.

Não pensou duas vezes. Ligou para o trabalho, deu uma desculpa esfarrapada e voou para Cambridge, sem antes pegar aquele pequeno objeto de fantasias.

Afinal, precisava colocar de volta de onde pegou.

Chegou, entrou e chamou. Ela respondeu do banheiro. Estava saindo do banho.

Acomodou-se na sala e esperou.

E ela apareceu. Deslumbrante. Descalça de cabelos molhados e soltos.

Usava um vestido branco semi-transparente, longo e justo até a cintura que através de uma abertura generosa revelavam seios fartos e perfeitos para aquele corpo escandinavo.

Sentou-se numa poltrona de encosto alto e soltou o verbo direto:

– Onde você colocou a minha calcinha?

Surpreso, balbuciou meia dúzia de palavras desconexas.

– Responde – insistiu com aquela voz suave e clara – onde você colocou?

– Eu não peguei nada – respondeu com voz trêmula.

– Pegou sim. É minha favorita. Se você continuar negando vou contar que você pegou. Onde está?

Sem alternativas e envergonhado, levantou-se, colocou a mão no bolso e puxou a pequena peça.

Um pequeno brilho iluminou aqueles olhos azuis.

Colocou um dos braços para trás segurando o encosto da poltrona e deixou o corpo descer. Abriu as pernas e puxou com a outra mão o vestido bem acima dos joelhos revelando toda sua fresca nudez. 

Esticou as pernas perfeitas no ar, jogou os cabelos para a frente dos olhos num movimento leve com a cabeça e sentenciou baixinho:

– Agora põe.

Gerald D

By Gerald D

Gerald D é um atento observador da vida, da política, das artes, da música, da literatura e de tudo o que pode enriquecer alguém culturalmente. Gremista desde sempre, de quebra também escreve com muita propriedade sobre futebol

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