Ter dinheiro e renda para viver o resto da vida sem trabalhar, é certamente o maior desafio financeiro de qualquer pessoa que vive na América. Imigrante ou não, a aposentadoria com qualidade e renda suficiente para manter o mesmo padrão de vida que você tem hoje enquanto está trabalhando é algo que não se tem solução da noite para o dia, tem que ser planejada e construída ao longo de muitos anos, quanto mais cedo começar, melhor. 

A vida aqui não é tão simples quanto ter uma casa quitada, um carro pago na garagem e um salário garantido no final do mês, a família para ajudar se ficar doente e assim por diante. Tudo aqui custa dólar! Aqui se ganha por hora, e não por mês e isso diz muito do quanto o custo de vida é alto. 

A carga horária de trabalho é intensa, o que levou a uma expressão comum na comunidade de trabalho no ”full-time, part-time e mortime”. Esta expressão retrata muito sabiamente a intensidade da carga horária de um imigrante brasileiro na Terra do Tio Sam. 

Aqui não se tem 30 dias de férias pagas a todos os empregados e muito menos décimo terceiro para gastar no Natal. O ganho da hora trabalhada propicia o pagamento das contas e se não trabalhar, não tem dinheiro, simples assim. 

A grande maioria dos imigrantes brasileiros deixam o Brasil para buscar oportunidades melhores para si mesmo e sua família, geralmente motivados pelo lado financeiro. Ao chegar aqui e entre outros desafios que enfrenta, a falta de educação financeira aumenta este desafio, pois não conhece suficientemente estratégias e conceitos financeiros que podem tornar suas vidas mais fáceis e muitas vezes não se preparam devidamente para o futuro de quando não puder ou não quiser mais trabalhar. De onde virá o dinheiro para pagar as contas o resto da vida? 

Com a capacidade de empreender, se reinventar e sem medo de trabalhar duro, o que falta é acesso a informações confiáveis, corretas, e a educação financeira de como fazer o dinheiro trabalhar por si mesmo, para que se possa trabalhar menos, e usufruir de uma vida com mais qualidade. 

Na minha experiência no meu trabalho profissional, ajudando indivíduos e famílias com planejamento financeiro e de proteção, investimento e a se preparar para a aposentadoria, o maior desafio que vejo na comunidade não é a falta de dinheiro, mas sim as informações e estratégias corretas para que as pessoas possam parar de trabalhar e desfrutar a tão sonhada aposentadoria em dólar. Várias receitas de retorno rápido, pirâmides e esquemas financeiros fazem da comunidade brasileira vítimas fáceis e vulneráveis. 

Infelizmente, não se aprendia conceitos e fundamentos financeiros no país de origem, a educação financeira nunca fez parte do currículo escolar, não se aprende a fazer um orçamento familiar. A gastar menos do que se ganha, a administrar cartões de crédito, nem o que se deve ou não fazer para para economizar, crescer patrimônio e tirar proveito de estratégias de crescimento e planejamento. Este aprendizado e informações são tão necessárias aqui na América, quanto a língua e a cultura, afinal são infalíveis em um país de economia forte e estável. 

Costuma-se acreditar no Brasil que algumas pessoas sabem lidar com o dinheiro e outros não, simples assim, e a verdade é que esta habilidade é aprendida e desenvolvida juntamente, através da educação financeira e de se trabalhar com um profissional capacitado, licenciado e fiduciário para guia-lo na sua jornada financeira aqui na América. 

Então vem a pergunta, depois de trabalhar décadas aqui, de onde virá a renda garantida para a tão sonhada aposentadoria? Ter capacidade de viver dignamente, poder usufruir da liberdade de tempo e ter o mesmo padrão de vida dos dias trabalhados? 

Trabalhar porque se quer e não porque se precisa de dinheiro para pagar as contas do dia a dia. Qual é o plano para ter o suficiente para se aposentar com renda em dólar? Como fazer para aposentar aqui, e ficar na velhice juntos dos nossos filhos que cresceram e hoje já tem seus próprios filhos e são totalmente aculturados e adaptados a este país? 

Voltar ao nosso país de origem por opções e escolhas é muito bom, mas por falta de habilidade de viver uma aposentadoria adequada aqui, nem tanto. 

A melhor opção é você construir um patrimônio e planejamento financeiro em uma economia forte, como dos a Estados Unidos, assim sempre terá opções de escolha de onde quer viver, o que muitas vezes não é o caso se o patrimônio for construído no Brasil, com a discrepância de câmbio entre o dólar e o real, lembrando sempre que não se consegue viver de real gastando em dólar. 

E a pergunta agora é o que se pode fazer hoje para garantir o futuro com uma aposentadoria digna? 

Costumo usar a analogia da aposentadoria americana como se você estivesse construindo um BANQUINHO DE TRÊS PERNAS. Você precisa de no mínimo três fontes de renda para que possa sustentar o seu banquinho da aposentadoria. 

Começamos com a primeira perna, que é o sistema previdenciário social americano, conhecido como Social Security benefits. 

O primeiro passo é declarar imposto de renda no final do ano dos seus ganhos de trabalho. Se você tem o número do Social Security, que é similar ao CPF brasileiro, declare seu imposto usando este número, caso contrário, busque informações para obter um Individual Taxpayer Identification Number (ITIN). Este é um número alternativo dado pelo governo americano para o propósito de reportar e pagar responsabilidades fiscais. O processo é simples assim, quem trabalha tem obrigação de reportar renda e pagar os devidos impostos, pois é através do seu imposto que você terá acesso a muitos benefícios do sistema financeiro americano, entre estes a contribuição no sistema previdenciário americano. 

Não existe contribuição facultativa na previdência social americana, a contribuição é feita através de um um percentual da sua renda anual. Se você é empregado de uma empresa que tem o processamento de cheque através do payroll, o que chamamos de recebimento no W-2, já é descontado do seu cheque a contribuição para a sua aposentadoria social. Se você é autônomo ou trabalha como contratado sem obrigações empregatícias, como aqueles que recebem o 1099 Tax Form no final do ano, você contribui para sua aposentadoria quanto declara o seu imposto de renda no final do ano. 

Por falta de entendimento de como funciona o sistema financeiro americano, muitas pessoas passam a vida inteira aqui, ganhando em cash e sem reportar seus ganhos, e automaticamente não estão contribuindo para a previdência social americana, e na velhice não terão direito a nenhum benefício de renda, seja por tempo de contribuição, ou para benefícios de invalidez ou sobreviventes dependentes. Infelizmente temos visto esta situação na comunidade mais frequente do que gostaríamos. 

O Social Security Benefits foi criado com o intuito de ser um terço da renda das pessoas na aposentadoria, em nenhum momento teve-se a intenção de ser a única solução. Os ganhos são calculados em uma média dos 35 maiores anos de contribuição, sendo o fator anos de contribuição e valor da declaração do imposto de renda os fatores fundamentais a afetar o benefício. 

A idade mínima para se coletar os benefício para aposentadoria é de 62 anos, onde se coleta os benefícios menores do que no momento de tempo integral, sendo necessário no mínimo 40 trimestres de contribuição (40 quarters), o que corresponde em torno de 10 anos de contribuição, não sendo necessário serem anos corridos. A aposentadoria em tempo integral varia entre 65-67 atualmente, dependendo do ano de nascimento. 

É extremamente importante fazer uma análise e um planejamento de aposentadoria para maximizar os ganhos e minimizar os impostos, se precisar continuar trabalhando enquanto coletando antes do tempo integral. 

Na próxima semana, falarei sobre a parte 2 do BANQUINHO DE TRÊS PERNAS da aposentadoria dos seus sonhos em dólar. 

Ana Claudia Panori

By Ana Claudia Panori

Ana Claudia Panori é conselheira financeira licenciada - financial advisor, membro MDRT e NAIFA, palestrante certificada em financial Wellness on workplace. Trabalha na Prudential Financial e desenvolve há anos um longo trabalho de educação financeira junto à comunidade brasileira. É representante da pasta de Empreendedorismo e Finanças do Conselho de Cidadãos de Boston, além de ser voluntária em diversas causas sociais. Contato: 508.353-9340. Instagram: anaclaudia7835

2 thoughts on “Aposentadoria em dólar – parte 1”

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