José Fernando e sua esposa Marcia – nomes trocados – são empresários de sucesso e dão emprego para mais de 50 pessoas nos seus empreendimentos. Ele tem uma construtora e ela tem uma companhia de limpeza comercial e residencial. Fernando, compra casas velhas que derruba, contrói e as vende e também trabalha para terceiros em reformas, ampliações e pintura.

O casal é discreto e são tidos por generosos pelos seus funcionários, alguns deles trabalham com eles há mais de 15 anos e por consideração são padrinhos de vários filhos dos seus funcionários.

“Nossos funcionários são o nosso maior patrimônio e fazemos questão de tê-los conosco. Nossas relações no ambiente de trabalho são profissionais, pois acima de tudo eles sabem como trabalhar, quem manda e o que cada um tem que fazer. Nossos encarregados têm a noção de como tratar todos eles e não admitimos desrespeito de modo algum”, diz Marcia.

Porém, o que tem causado stress no casal são os funcionários de temporada que não desgrudam do telefone celular e das redes sociais. “Tem sido de tirar a gente do sério”, conta Fernando.

Mas o problema enfrentado por eles e por outros empreendedores nos últimos tempos são os que chegam para trabalhar mas ficam o tempo todo no telefone celular.

Marcia diz que no início do ano, por causa da demanda do trabalho precisou contratar mais pessoas para trabalhar e uma funcionária récem admitida, que se dizia digital influencer causou um grande problema. “Uma equipe foi escalada para limpar a casa de um cliente de muitos anos e a menina fez uma live de dentro da casa do homem expondo obras de arte e o ambiente. Quase tive um infarte quando descobri o que ela havia feito e o cliente ficou furioso e depois de muita conversa ele se acalmou e relevou a situação, mas a menina foi mandada embora”, prossegue Marcia, ressaltando que já havia advertido para que evitasse usar o telefone e as redes sociais durante o trabalho.

A reportagem conversou com vários empresários e donas de schedule de limpeza sobre o assunto e a maioria foi taxativa ao afirmar que uma das maiores dificuldades com quem trabalha para eles é o uso excessivo do telefone celular em ambiente de trabalho. “Quando admito alguém já aviso na hora, que se for para ficar nas redes sociais nem precisa começar. É um abuso constante e tem gente que acha ruim quando reclamamos”, diz um destes empresários. “Já até pensei em pagar mais para quem não fica no telefone celular”, diz uma dona de schedule.

“É uma praga o funcionário ou funcionária que fica o tempo todo no Facebook, no Instagram, no TikTok e no WhatsApp e que não trabalha de modo algum, por mais que fiquemos em cima”, diz o dono de uma padaria na grande Boston. “Eu não tenho mais paciência com quem finge trabalhar e desperdiça o seu tempo no telefone celular”, prossegue.

Mas como proceder diante da lei sobre este assunto? A reportagem buscou ouvir o Brazilian Worker Center (BWC) sobre a validade de ações para coibir os excessos. “A lei não diz nada sobre uso de telefone no horário de trabalho. Isso é questão de bom senso e profissionalismo. O patrão não pode pagar abaixo do salário mínimo estadual, acredito que pode sim dar bônus para quem dar prioridade ao trabalho. E não é ilegal demitir alguém que não está cumprido com suas responsabilidades. Devo lembrar que o Estado de Massachusetts opera com o sistema ‘employment at will’ um patrão não precisa ter/dar motivos para/por demitir um funcionário”, respondeu Lenita Reason, diretora executiva do BWC.  

Fique longe do celular e das redes sociais no trabalho

  • Mantenha o telefone no silencioso
  • Não desperdice seu tempo nas redes sociais durante o trabalho
  • Aproveite o break para se atualizar nas redes sociais
  • Não tire fotos ou faça filmagens do seu ambiente de trabalho sem autorização
  • Tenha bom censo…

Foto da capa: Tânia Rego/Agência Brasil

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