Na cidade de Pau Ferro, o novo presidente do Pauferrense, Carlinhos Sabino, assumiu com ideias modernistas visando melhorar o desempenho do clube no campeonato regional, e de olho na sua candidatura a deputado estadual, decidiu demitir o treinador Zé da Égua, pois achava o estilo do treinador muito roceiro e que não combinava com a modernidade que ele queria implantar no clube.
Carlinhos Sabino precisava impressionar os eleitores das cidades da região. Faltando uma semana para começar o campeonato regional, apresentou o novo treinador do clube, contratado na capital.
Logo no primeiro treino, o treinador moderno causou impacto e na preleção ele falava com entusiasmo sobre esquemas táticos, subidas de laterais, quadrado mágico, libero, intensidade, inversões e jogadas ensaiadas. Carlinhos Sabino, absorvia extasiado as palavras do treinador, enquanto os jogadores perplexos não entendiam nada. Sabino já sonhava com a eleição, apoiado pelo seu treinador moderno.
Na primeira rodada, jogando em casa, o Pauferrense perdeu de 2×0, gerando uma desconfiança da torcida e levando Sabino a enumerar uma série de desculpas justificando a derrota. Na segunda rodada jogando fora de casa, o Pauferrense levou uma sonora goleada de 6×1, a torcida e a oposição do clube, não perdoaram o presidente, responsabilizando-o pelo péssimo início de campeonato. Depois de uma semana conturbada, o Pauferrense voltou a campo para a terceira partida. Carlinhos Sabino esperava que jogando em casa o time vencesse para por fim às criticas, mas em campo o time continuava mal. O primeiro tempo terminou com o Pauferrense perdendo de 2×0. Desesperado, Sabino pediu que chamassem Zé da Égua que assistia o vexame da arquibancada. Com a chegada de Zé da Égua, Sabino demitiu o treinador moderno e contratou novamente o antigo treinador.
Ali mesmo no vestiário, Zé da Égua, começava a virar o jogo e, com seu jeito inconfundível, dava as instruções. “Vocês estão muito mansos, estão parecendo pardal de igreja. E você, Cidinho? Para um capitão do time, está muito calado, tem que ser igual a cabrito entrando na faca, berrar o tempo todo. Biro, já esqueceu o que eu te falava? Zagueiro bom, tem que jogar igual a pé de milho, plantado e não esqueça, também que atacante inimigo é igual cabeça de prego, tem que levar pancada até sumir da sua frente. Esse meio de campo, tá muito enrolado, tem que distribuir a bola igual a rabo de vaca, pra um lado e pro outro. O ataque tem que jogar na tática do Tatu com Porco, cavando e fuçando o tempo todo. Quando eles estiverem com a bola, recua todo mundo e quando a gente tomar a bola é atacar na tática do enterro de Coronel, vai todo mundo”.
Final de jogo, vitória do Pauferrense, de virada 3×2, era o início da salvação da candidatura de Carlinhos Sabino a deputado estadual…

Alfredo Melo

By Alfredo Melo

De texto fácil e cativante, Alfredo Melo é uma enorme criatura no sentido literal do termo, além de ser um profundo conhecedor do futebol e tem também a paixão e o sofrimento pelo Botafogo, cada dia maior... *Este texto não reflete, necessariamente, a opinião de A Notícia USA

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