Apesar de nunca ter sido um craque, Ederson Franco, revelou-se um ótimo treinador, mas que carregava um estigma, “nasceu pra treinar time pequeno”. Sucesso absoluto, nos campeonatos, da segunda e terceira divisão, da Federação Paulista de Futebol, não conseguia explicar, o desinteresse dos clubes da primeira divisão, pelo seu trabalho. Já com o nome consolidado no estado de São Paulo, recebeu um convite do Democrata GV, de Minas Gerais e, viu uma boa oportunidade de tentar uma melhor sorte, fora de São Paulo.

Anunciado pelo clube, como o “homem” capaz de levar o Democrata de volta, a primeira divisão do campeonato mineiro, Ederson, chegou em Valadares, cercado de “toda pompa e circunstância”, só faltando o carpete vermelho do Oscar. O clube anunciou, que faria uma contratação de impacto, mas que Ederson tentasse aproveitar ao máximo as “jóias” da divisão de base.

Essa declaração do presidente do clube, parece ter sido a senha, para a romaria, que se iniciou, de figuras importantes da cidade, atrás de Ederson Franco. Estava aberta a temporada de pedidos. Ao término do primeiro treino, comandado por Ederson Franco, a saída do clube, estava o delegado da cidade, que o convidou para um cafezinho. Durante o cafezinho, o “Delega”, explicou ao treinador, que apesar de casado, dava assistência, a uma jovem senhora, separada do marido, e que tinha um filho de 19 anos de idade, que jogava de lateral esquerdo e, que se fosse possível, o aproveitamento do rapaz, no time titular, desde já colocaria uma viatura policial, estacionada 24 horas, na porta da casa do treinador. Ederson, disse ao delegado, que não garantiria nada, mas iria observar o rapaz com atenção especial. 

Ao chegar no dia seguinte, para o treino, Ederson, foi parado na porta do vestiário, pelo gerente da agência central do Banco do Brasil, que disse que aquela era uma visita de boas-vindas, ao treinador e que já havia um cartão de crédito aprovado, bem como um cheque especial, de um apreciável valor, a disposição do treinador. Ederson agradeceu e, ficou de passar na agência, na parte da tarde para assinar os contratos. Ao entrar na agência, encontrou o camisa 10, da divisão de base, conversando com o gerente, que o lhe apresentou como filho. Ederson, então ficou sabendo que o menino, precisava jogar, para ser observado por um empresário, que queria comprar o passe do rapaz.

Bem, resumindo a “ópera”, o treinador Ederson Franco, ainda recebeu a visita do padre, do prefeito, e do diretor do hospital, todos com pedidos, para sobrinhos, filhos, amigos e agregados. O treinador, já estava achando aquilo demais e, precisava tomar uma decisão, pois, o jogo de estréia, estava próximo. Depois de muito meditar, tomou uma decisão surpreendente, no dia do jogo escalou 12 jogadores e os mandou a campo. Na hora de iniciar a partida, o juiz foi alertado pelos jogadores do Guarani de Divinópolis de que o Democrata tinha 12 jogadores em campo. O juiz contou e realmente, o Democrata, estava com 12 em campo. O juiz sinalizava para o banco do Democrata e Ederson, fingia que não via nem ouvia. 

Cansado o árbitro foi até Ederson e pediu que tirasse um jogador de campo, pois, o time dele tinha doze. Ederson respondeu ao juiz, que não iria tirar ninguém. – “Você tem que tirar, insistiu o árbitro. – Não tiro, retrucou Ederson, e tem mais, você deu sorte, porque eu iria entrar com 13, só não entrei, porque o sobrinho do prefeito, chegou as 7 horas da manhã, na concentração, bêbado, e está dormindo até agora”. – “Bem, enquanto você não tirar um do seu time, o jogo não começa. Vou aguardar mais quinze minutos, se você não tirar um, encerro o jogo e te ferro na súmula”.

Ederson pensou uns cinco minutos, chamou o árbitro e disse: – “Eu não posso tirar ninguém, se você quiser, escolhe um e tira, mas atenção, o 6 não pode; foi escalado pelo delegado; o 10 é filho do gerente do Banco do Brasil. O 8 e o 3 nem pensar. Um é filho do prefeito e o outro é “protegido” do padre. Se vira, malandro, eu não posso perder esse emprego”…

Alfredo Melo

By Alfredo Melo

De texto fácil e cativante, Alfredo Melo é uma enorme criatura no sentido literal do termo, além de ser um profundo conhecedor do futebol e tem também a paixão e o sofrimento pelo Botafogo, cada dia maior... *Este texto não reflete, necessariamente, a opinião de A Notícia USA

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