Era uma ilha de luxo, dentro de uma favela miserável. Robson o dono do bar, tinha três paixões, bar, luxo e futebol. O bar foi montado para atender a elite da favela, a turma que gosta de jazz (Aqui Jaz) e a turma da indústria da perfumaria (cheirinho da Loló) e do talco (coca). O bar não ficava devendo nada a nenhum bar de luxo, de qualquer cidade do Brasil. Comidas finas, bebidas honestas e atendimento VIP. A clientela só não encontrava um tipo de bebida, a velha e boa cachaça, pois, Robson achava um sacrilégio, vender cachaça naquele oásis.

Com duas paixões resolvidas, Robson investiu no futebol e montou uma verdadeira seleção de zona leopoldinense, e começou a ganhar todas as competições que disputava. Robson era treinador do time e contava com o auxiliar-técnico, Cajá, conhecido como o “Luxemburgo da várzea”, que também exercia a função de espião. Como Robson, não conhecia muito de esquema tático e com os jogadores que tinha, principalmente, Chula o melhor camisa 10 da várzea, só se preocupava em distribuir as camisas. Uma coisa não podia ser negada, Robson era um grande estrategista.

A fama das exibições do time Robson’s Bar, extrapolou os limites do bairro de Braz de Pina e da zona da Leopoldina, da cidade do Rio de Janeiro e o levou a disputar o campeonato carioca amador em 1982, organizado pelo Departamento Autônomo da Federação Carioca de Futebol. Sem surpresas o Robson’s Bar, venceu a chave da zona da Leopoldina e se classificou para a semifinal contra o time do Rosita Sofia, campeão da chave da zona Oeste. O Cerâmica do morro de Mangueira, venceu a chave da zona Central do Brasil e o Humaitá, foi campeão da chave da zona Sul. O Robson’s Bar derrotou o Rosita Sofia e o Cerâmica, derrotou o Humaitá e chegaram à final.

A final do campeonato, desde o início, já estava marcada para o campo do Quartel de Marinheiros, na Avenida Brasil, no bairro Circular da Penha, justamente ao lado da favela de Braz de Pina, ou seja, o Robson’s Bar, jogaria a final “em casa”. Com a chegada do time do Cerâmica, Cajá, o espião colou no time do Cerâmica e começou a trabalhar. Em 15 minutos de escuta, Cajá conseguiu ouvir informações importantes e correu para informar ao Robson. Cajá disse que o treinador do Cerâmica sabia que quem desequilibrava no time do Robson’s Bar era o camisa 10, mas que não sabiam o nome do cara, nem quem era. Rapidinho Robson chamou o camisa 8, Jacaré e mandou que ele trocasse de camisa com Chula, o camisa 10. Quando a partida começou, o Cerâmica colocou dois jogadores colados no camisa 10, o Jacaré e deixaram solto o camisa 8, Chula. Resumo do primeiro tempo, 3×0 para o Robson”s Bar, com três gols de Chula. Na saída do intervalo, Cajá, ouviu o treinador do Cerâmica, dizendo que o camisa 10 era bom, mas não era “nenhuma maravilha”, bom mesmo era o camisa 8. Informado mais uma vez por Cajá, Robson usou outra estratégia, retirou Jacaré que tinha levado muita pancada e retirou o Chula camisa 8, pra ninguém descobrir o seu segredo. Colocou dois cabeças de área e segurou os 3×0, garantindo o título.

Naquela noite, no Robson’s Bar, a festa foi de arromba, com muito talco e muito perfume, até quem não é de cheirar, cheirou…

Imagem meramente ilustrativa

Alfredo Melo

By Alfredo Melo

De texto fácil e cativante, Alfredo Melo é uma enorme criatura no sentido literal do termo, além de ser um profundo conhecedor do futebol e tem também a paixão e o sofrimento pelo Botafogo, cada dia maior... *Este texto não reflete, necessariamente, a opinião de A Notícia USA

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