Desde a eleição presidencial brasileira em 2014 polarizada pela disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, passando pela eleição americana em 2016 entre Hillary Clinton e Donald Trump e desembocando em 2018 com Jair Bolsonaro de um lado e todos os outros candidatos de outro, algumas relações familiares e de amizades jamais foram as mesmas.

Os brasileiros que moram nos Estados Unidos entraram de corpo e alma e mesmo que a imensa maioria não vote nas eleições americanas, sentiram-se no pleno direito e se colocar ao lado de Donald Trump ou de Joe Biden. Como sempre as redes sociais tornaram-se um campo de batalha e até alguns indocumentados se dispuseram a fazer campanha para Donald Trump, mesmo que ele tenha pendores discriminatórios e como poucos mandatários americanos perseguiram imigrantes ao longo da história. 

Com o aquecimento da pré-campanha da eleição presidencial no Brasil, os ânimos já estão acirrados e é muito comum ver pessoas desconhecidas se digladiando nas redes sociais, agredindo-se verbalmente sem a menor cerimônia e pouco se importando com as consequências dos seus atos e palavras. Os conflitos e os desentendimentos atingem famílias e tem sido comum ver parentes se digladiando por causa da política.

Aquela figura de linguagem até cômica, do grupo no WhatsApp que acabou com a família se tornou uma realidade nas vidas de muitas famílias. São os que vão votar no Bolsonaro de um lado e os que vão votar em Lula de outro. Pais que não falam com filhos, irmãos que romperam com irmãos, amigos que terminaram amizade de muitos anos, patrões que demitiram funcionários e empregados que pediram as contas por causa da polarização política.

E os que trataram de bloquear nas redes sociais e no WhatsApp quem pensa diferente em questões de política? As coisas são tão feias e complicadas que até dentro das comunidades religiosas e espirituais a contaminação política chegou para ficar.

As redes sociais, principalmente o Facebook tornou-se uma imensa lavanderia no sentido figurado, onde milhões de pessoas lavam suas roupas sujas, também no sentido figurado e despejam suas frustrações como se todos fossem obrigados a tolera-los.

As redes sociais têm se tornado por vezes em um campo onde seres humanos transformam-se em bestas-feras sempre prontos a se digladiarem por qualquer motivo, não importando se tem razão ou não.

Tem as pessoas que mantém perfis falsos nas redes sociais com o objetivo de ofender, criticar, xingar, destratar, injuriar e espalhar contenda de modo encoberto, porque lhes falta a coragem de mostrar a cara. São pessoas que se fazem passar por jornalistas, radialistas, donos de grupos e bazares e até pasmem, de gente que se diz líder comunitário.

Até o ato de vacinar-se ou não contra a Covid-19 foi politizado sem qualquer cerimônia. E tome ofensa! Entra aí também os costumes, de gente que se diz conservador sem entender direito o que significa ser um conservador de fato. Sem contar os áudios, vídeos e textos que chegam toda hora pelo WhatsApp e que em quase 100% dos casos são fake news. Não compartilhe e nem dissemine mentiras.

A impressão que se tem, é a de que a política afetou de vez as relações familiares e sociais num caminho sem volta, mas é sempre bom ter em mente que é possível sim, conviver com quem pensa diferente desde que haja o mínimo de boa vontade.

Seja cordial, seja educado, não responda ofensa com ofensa. Lembre-se que não é crime pensar diferente e que a política passa, mas as relações familiares e sociais ficam…

Jehozadak Pereira

By Jehozadak Pereira

Jehozadak Pereira, é jornalista profissional especializado em jornalismo comunitário e produção de conteúdo informativo e de utilidade pública. É ganhador de inúmeros prêmios e reconhecimentos pela qualidade do seu trabalho comunitário e voluntário. É o editor-chefe e principal articulista do A Notícia USA.

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