De olho no eleitorado trumpista e crendo que o ex-presidente não será candidato à presidência dos Estados Unidos em 2024, Ron DeSantis, o republicano governador da Flórida assesta a suas suas armas e munição para a imigração, que é evidentemente um dos lados mais frágeis e tênues da sociedade. Aliás, quer saber qual é a moral de uma sociedade? Veja como ela trata os imigrantes. 

Ron DeSantis é tido como uma versão 2.0 de Trump, ou ainda como um ‘mini-Trump’ e é denominado como ‘pior do que Trump’, ou seja, haja mediocridade para definir o governador que desde já tenta pavimentar junto ao eleitorado tido por conservador o seu caminho rumo à Casa Branca. Se vai conseguir ou não o tempo dirá.

Pois bem, para agradar esta parcela da sociedade americana que é coalhada de supremacistas brancos, de racistas, de xenófobos e preconceituosos, DeSantis baixou uma ordem executiva contra a imigração que beira as raias do absurdo e da intolerância contra a imigração chamada por ele de ilegal.

A medida que é draconiana e se for de fato implementada, transformará a vida de qualquer imigrante indocumentado na Flórida em um martírio diário, foi lançada com estardalhaço e ares de campanha política, tal como fez Donald Trump quando anunciou a sua candidatura na Trump Tower, aquele templo do mau gosto e da cafonice em plena 5ª Avenida em New York.

Como o pomposo nome de ‘Biden Border Crisis Executive Order’, De Santis vê em Joe Biden um inimigo a ser combatido e certamente, sua ação desastrada será contestada e derrubada nos tribunais federais, já que a crise imigratória poderia ser resolvida facilmente com uma reforma com efeitos imediatos.    

O governador mostra nesta ordem executiva que pretende tratar imigrantes indocumentados a marretadas e se cumprida as suas ordens trará incertezas, apreensão, medo e pavor nesta parcela da população que vive na Flórida. O que quer DeSantis? Capitalizar a ação e tirar proveito político dela em seu exclusivo benefício projetando o seu nome no cenário nacional, favorecido pela extrema polarização inaugurada por Trump e sua gente.

Falta do que fazer não é o caso do governador da Flórida. Notório negacionista, ele faz de tudo para atrasar a vacinação no estado. Até o fechamento deste editorial, 26,7 milhões de doses foram aplicadas e 12,3 milhões pessoas estão totalmente imunizadas – 57,1% da população. A variante Delta varre a Flórida aos olhos inoperantes de DeSantis.

Porém, a atitude de Ron DeSantis não é inédita, não será a primeira e tampouco a última na década passada ocorreram outras tentativas por parte de prefeitos e governadores, todas, felizmente sem prosseguimento. 

Na década passada a cidade de Fremont, no Estado do Nebraska, aprovou uma legislação que proibia a contratação e o aluguel de imóveis para imigrantes indocumentados, a exemplo de Riverside e Hazleton, respectivamente nos Estados da Pennsylvania e New Jersey que também fizeram o mesmo. Em 1990 os estrangeiros indocumentados em Fremont eram 165, e chegou a cerca de 2 mil que trabalhavam nas indústrias locais, e o medo era o de que mais imigrantes desembarcassem por lá e tomassem os empregos dos cidadãos locais. 

A lei de Fremont foi devidamente derrubada nos tribunais superiores, tal como foram as restritivas leis de Riverside e Hazleton porque infringiram os direitos civis e das pessoas, pois se sobrepõem às leis federais que regem a imigração. Porém, tais leis agradam em cheio a causa anti-imigrante e sua vontade imensa de expor quem não têm documentos para levar uma vida digna e justa.

Houve o caso do Arizona, cuja então governadora Jan Brewer e sua nefasta Lei SB 1070, que permitia que a polícia questionasse qualquer pessoa com aparência de um estrangeiro. A medida foi devidamente derrubada na justiça.

A ideia principal é punir o trabalhador indocumentado mais uma vez, porque punido pela falta de documentos ele já está. O que se pretende é humilhar o indocumentado diante da sociedade, da sua família e do governo federal. Há de se dizer que o objetivo maior deles é pressionar e empurrar os imigrantes para o limbo e a periferia social cada vez mais.

Com a chegada de novas pessoas com costumes e modos de vidas totalmente diferentes, a estrutura social de muitas cidades foi quebrada de modo irreversível, ao mesmo tempo que trouxe prosperidade e alento financeiro. Imóveis há muito desocupados, ganharam novos moradores. 

Tais lugares não querem o dinheiro ou o progresso trazido pelos imigrantes, e diante da falta de leis federais que regulamentem o assunto, resolveram fazer justiça com as próprias mãos, pouco se importando com as consequências das suas atitudes que abrem um precedente perigoso e oportunista, tudo o que denota a ordem executiva do governador da Flórida.

Antes de tudo, a atitude de gente como Ron DeSantis é desumana e inoportuna em todos os aspectos, inclusive legais. Agravar ainda mais uma crise imigratória para auferir dividendos políticos é espúrio, indigno e imoral. Espera-se que o futuro dele e de quem pensa igual seja a lata de lixo da história…

Jehozadak Pereira

By Jehozadak Pereira

Jehozadak Pereira, é jornalista profissional especializado em jornalismo comunitário e produção de conteúdo informativo e de utilidade pública. É ganhador de inúmeros prêmios e reconhecimentos pela qualidade do seu trabalho comunitário e voluntário. É o editor-chefe e principal articulista do A Notícia USA.

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