Mais uma tragédia, desta vez no em Uvalde, Texas, onde na terça-feira, 24, um atirador matou até a publicação deste editorial 21 pessoas, sendo 19 delas crianças que estudavam na Robb Elementary School, que foram massacradas Salvador Ramos, 18 anos, que era estudante da instituição e que foi morto em reação ao atentado.

Há pouco mais de uma semana, dez pessoas morreram em um ataque a tiros de rifle em um supermercado em Buffalo, New York, em mais um massacre, desta vez por motivos raciais – já que as pessoas atingidas eram negros. Payton Gendron, 18 anos, o atirador foi acusado de homícidio em primeiro grau e a arma utilizada nos crimes, havia sido comprada legalmente.

Há algumas décadas quando os jovens queriam protestar ou transgredir em algum ato, o máximo que faziam era deixar o cabelo crescer, sair de casa e ir morar numa comunidade hippie qualquer para poder fumar maconha a vontade sem ser recriminado pela sociedade “normal”.

Porém, os tempos mudaram e desde que os alucinados Eric Harris e Dilan Klebold, mataram 13 pessoas e se mataram depois do ataque à Columbine High School no Colorado em 20 de abril de 1999, a prática dos massacres em escolas e instituições de ensino se tornou uma constante nos Estados Unidos.

Por mais que tentem achar explicações e razões para tantos assassinatos as autoridades não conseguem tê-las, mesmo se dedicando com afinco ao assunto. O ponto culminantes destas tragédias aconteceu em abril de 2007, na Virginia Tech University onde um estudante de origem sul coreano matou 30 pessoas e depois se matou.

A América perplexa e abalada assistiu dias depois vídeos que foram veiculados na televisão onde Cho Seung-hui, demonstrava todo o seu ódio e rancor contra o sistema estabelecido. Durante muitos meses os tiros dados por ele ecoaram nas mentes dos que presenciaram o massacre brutal e sem explicação aparente. Este episódio mostrou como é relativamente fácil comprar armas em muitos estados americanos que tem uma legislação frouxa e liberal, principalmente no que diz respeito ao direito do cidadão de ter uma arma no seu nome.

Antes disto em outubro de 2006, Charles Carl Roberts então com 32 anos, assassinou cinco meninas numa escola rural dos amish – povo pacato e que vive de forma simplória no interior do Estado da Pennsylvania. Dizendo estar “cheio de ódio contra si mesmo e contra Deus”, Roberts se matou depois do massacre, e a sua história revelou que fora abusado sexualmente na sua infância.

Ódio contra o sistema e contra pessoas que deturparam e corromperam a mente dos assassinos, sem que se desse conta do grau de comprometimento e insanidade de cada um deles. James Holmes matou 12 pessoas num cinema em Aurora, Colorado, durante a exibição de um filme. Fantasiado, Holmes abriu fogo contra a platéia do cinema, deixando ainda 70 feridos. 

Porém, a chacina que mais comoveu o mundo foi a perpetrada por Adam Lanza, que em dezembro de 2012, matou a tiros, 20 crianças e seis adultos, entre eles, sua própria mãe, numa escola primária em Connecticut. 

Os detalhes revelados após as tragédias, mostram uma frieza impressionante no preparo e organização dos ataques e por mais que as autoridades queiram estar em cima dos fatos, estão sempre dois passos atrás e nada podem fazer para impedir tais massacres. Principalmente porque os assassinos agem na maioria das vezes sozinhos ou em cumplicidade uns com os outros como foi o caso de Eric Harris e Dilan Klebold. Que há uma cultura de violência na sociedade americana é inegável e evidente, pois tanto filmes, como literatura e os jogos eletrônicos e de estratégia tem no seu conteúdo um grau de violência assustador.

Há também o fator de fragmentação familiar, que deixa jovens a deriva e sem a orientação devida, entregues a própria sorte, sem contar que se por um lado a sociedade atual é liberal ao extremo, por outro é repressora e impõe pesadas regras, numa contradição que costuma confundir quem não a conhece a fundo.

Como identificar e parar uma mente doentia e com planos macabros? Por mais que busquem respostas as autoridades não as têm. Uma solução seria banir todo tipo de violência frontal ou sugerida em qualquer tipo de diversão. Mas isto iria contra os princípios de liberdade pregados pela constituição americana, e que provocaria a gritaria de parte da população.

Enquanto não se acham os caminhos para coibir definitivamente tais tragédias, só resta aos Estados Unidos e ao mundo se perguntar onde acontecerá o próximo massacre e quantas pessoas morrerão. Este é o preço – caro – que se paga pelo liberalismo e tolerância com a violência em todos os níveis, que infelizmente é protagonizado por jovens que antigamente transgrediam fumando maconha e bebendo escondido dos seus pais. Já para os legisladores, principalmente os republicanos e alguns democratas falta coragem e destemor para regular de vez a questão da posse de armas. 

O ex-presidente Donald Trump jamais ousou desafiar a National Rifle Association (NRA), cujo poderoso lobby parlamentar impede que a venda de armas seja devidamente regulamentada. Trump referia-se aos armamentistas como o ‘pessoal da 2ª Emenda’, que garante o direito de que todo cidadão possa ter quantas armas e munições quiser.

Porém, tanto o ‘pessoal da 2ª emenda’, faz cara de paisagem cada vez que adultos e crianças são assassinados sem qualquer razão e por motivos fúteis. Cabe a todos que tem sentimento, chorar e lamentar, até que um dia, os políticos resolvam ceder e regulamentar de uma vez por todas a questão da compra de armas por qualquer um. 

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