Circulou em grupos e bazares no Facebook nesta semana uma postagem que cita um grupo de brasileiros que ‘facilitam’ quem quer tirar carteira de motorista em New York mesmo que não more no Estado, cobrando caro e não cumprindo com o prometido.

A postagem mostra foto da suposta quadrilha, cotando nomes e telefones e não foi possível o contato com nenhum deles. Mas este caso, se for confirmado, não é o primeiro e certamente não será o último na comunidade imigrante e em especial a brasileira e é provocado pela vulnerabilidade de imigrantes que não tem documentos e a falta de uma legalização provoca desespero e por isso muitas pessoas caem na tentação de comprar documentos tidos como verdadeiros. Não existe esquema que não seja descoberto pelas autoridades e quando isto acontece quem comprou corre o risco de ser processado e ter uma possível legalização comprometida. 

Sem contar que na maioria dos casos, é de extorsão pura e simples, pois tais facilitadores não passam de vigaristas sem qualquer pudor em arrancar o máximo que podem de dinheiro de suas vítimas, que ficarão no prejuízo. Sempre tem alguém oferecendo um ‘esquema’ infalível que invariavelmente vai acabar com stress e cadeia.

O que não falta na comunidade brasileira são exemplos de gente que tentou vender ou comprar documentos de maneira fraudulenta e se deu mal.

Karl Vasconcelos e a venda de social security
Entre 2000 e 2002, Karl Vasconcelos vendeu em Framingham 1.746 cartões de social security para imigrantes indocumentados por preços que variavam entre US$ 2 mil e US$ 2,5 mil, arrecadando aproximadamente US$ 3,9 milhões. Só em Massachusetts foram vendidos 868 cartões, e até um funcionário do Social Security Administration do Texas fazia parte da quadrilha de Karl Vasconcelos, que foi sentenciado em 2003 a cumprir uma pena de cinco anos e três meses, além de ter os seus bens confiscados pelo governo federal. Todos os que compraram os cartões do social security foram localizados, se declararam culpados e foram deportados. Já o funcionário federal foi sentenciado a cinco anos e onze meses.

José Neto – compra de green card
José Neto, o Zelão era dono de uma companhia de limpeza e morava em Allston, e foi um dos que supostamente compraram o cartão do social security de Karl Vasconcelos. Quando foi chamado a depor, tentou corromper o agente da imigração que autorizado por seus superiores fingiu aceitar dinheiro para mudar o status imigratório de Zelão e sua esposa. Os encontros foram filmados e fotografados, até que Zelão fosse preso junto com outras 57 pessoas. Num dos encontros o agente do ICE disfarçado recebeu US$ 20 mil, e em outros encontros José Neto pagava adicionais que variavam entre US$ 4 e US$ 5 mil para que vários imigrantes indocumentados fossem liberados. Muitos deles eram empregados da empresa de José Neto, que admitiu culpa e foi condenado a uma pena de cinco anos.

Chelsea – compra de green card
Em agosto de 2008 foi a vez de 27 brasileiros serem presos no estacionamento de um supermercado em Chelsea quando se preparavam para ir num ônibus receber documentos que iam de green card, cartões do social security e carteira de motorista. Todos eles haviam caído numa armadilha de um agente do ICE que os arregimentou em Framingham e prometeu regularizar as suas situações mediante pagamentos que variavam em torno de US$ 10 mil. conformar com a situação e todos eles foram processados e deportados. Entre os presos haviam famílias inteiras, e o caso ganhou repercussão nos principais meios de comunicação brasileiros. O principal intermediário foi um agente do ICE conhecido como “Português”. Somente sete deles foram acusados de conspiração.

Adriana Ferreira foi condenada por suborno, estelionato e corrupção. Reprodução

Adriana Ferreira – carteira de motorista
Em 2012, a brasileira Adriana Ferreira, foi acusada de vender carteira de motorista para brasileiros de dentro do Registry of Motor Vehicles de Watertown, onde trabalhava. Ferreira era conhecida da comunidade brasileira como alguém que “dava um jeitinho” nas coisas. Por um preço, ela dizia aos imigrantes indocumentados que poderia conseguir carteira de motorista ou até mesmo liberar pessoas presas pela Imigração. Segundo as autoridades, Ferreira pegou milhares de dólares entre 2009 e 2011 de brasileiros, mas nunca entregou uma carteira de motorista. Quando as pessoas iam reclamar, ela os ameaçava dizendo que poderia chamar a polícia ou Imigração, o que chegou a acontecer algumas vezes. Adriana Ferreira, que foi presa, no departamento onde trabalhava, cobrava até US$ 4,1 mil por cliente, de acordo com as autoridades. Em 2013, Adriana foi condenada a três anos de prisão em regime fechado e mais cinco anos de liberdade condicional com restrições. Seus crimes foram suborno, estelionato e corrupção.

Christine lesou dezenas de brasileiros com falsas promessas

Christine Krynski
Em 2018, Christine ofereceu serviços de ‘assessoria’ para que indocumentados pudessem tirar carteiras de motorista em Connecticut e Maryland, alegando conhecer ‘pessoas lá de dentro’ dos respectivos departamentos que emitem carteiras de motorista. Christine cobrava US$ 350 para iniciar o processo; US$ 700 quando o agendamento fosse confirmado e US$ 350 quando a pessoa recebesse a carteira de motorista. Os agendamentos nunca aconteciam e famílias inteiras foram lesadas. Um dos requintes do golpe era vender carteiras com ‘estrela’, símbolo do Real ID, pelo qual Christine cobrava mais caro. Dezenas de brasileiros foram lesados em milhares de dólares por Christine.

 

Não caía em golpes
– Não compre e não pague por nenhum tipo de documento legal. Você pode inviabilizar qualquer chance de legalização no futuro e ainda responder processo por falsificação de documento
– Ninguém está autorizado pelo governo federal ou estadual vender qualquer tipo de documento como carteira de motorista, social security, green card, autorização de trabalho, certidão de nascimento ou passaporte americano
– Se quiserem te “vender” qualquer tipo de documento não aceite, pois pode ser uma armadilha da qual você se arrependerá amargamente
– Desconfie de amizades repentinas feitas em salas de bate-papo na internet e jamais forneça seus dados pessoais a quem quer que seja
– Na dúvida consulte um advogado. Ou chame a polícia…

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