Em maio deste ano, 19 brasileiros foram presos e acusados de participarem de um gigantesco esquema de criação de contas fraudulentas de aplicativos de compras e serviços que envolveu o roubo de mais de duas mil identidades.

De acordo com as autoridades federais na época das prisões os números de documentos roubados eram usados para abrir contas em aplicativos, da Instacart, Lyft, Uber, Doordash, entre outros e depois vendidas ou alugadas para imigrantes indocumentados. De posse destas contas fraudulentas, quem as comprava ou alugava trabalhava ilicitamente, fazendo-se passar por quem não eram de fato, causando prejuízos milionários, já que os impostos devidos iam para os verdadeiros donos dos documentos roubados.

O comércio, seja de venda ou de aluguel é feito através das redes sociais ou em grupos no WhatsApp .

Passados alguns meses, ao que parece a ação das autoridades federais que processou criminalmente os brasileiros envolvidos, não causou nenhum temor em outros brasileiros que continuam agindo livremente comercializando contas fraudulentas para imigrantes indocumentados.

Uma prova disto são os grupos de WhatsApp na região do Cape Cod, Massachusetts onde as contas fraudulentas de aplicativos de compras são oferecidas livremente e sem nenhum constrangimento – alguns espertalhões até fazem promoção para revendedores. Outros dão ‘garantia’ de funcionamento, com pagamento depois de um período de testes. A reportagem de A Notícia USA teve acesso em alguns grupos e pode constatar o que é feito – veja prints das conversas e das ofertas na galeria abaixo.

“Nos últimos meses muitos brasileiros chagaram aqui no Cape Cod e uma grande parte destas pessoas são vítimas desta exploração pois compram ou alugam estas contas de aplicativos e nem aquela ação policial inibiu quem vende ou aluga estas contas”, diz o empresário Joe Higachi que faz parte de alguns grupos de WhatsApp no Cape Cod. “Todos os dias surgem novos anúncios oferencendo estas contas”, prossegue. Joe Higashi não é o administrador de nenhum dos grupos onde as contas fraudadas são oferecidas.

Já um outro administrador de alguns grupos no WhatsApp, que pediu para não ser identificado não permite que este e outros tipos de ofertas sejam divulgadas nos seus grupos. “Administro alguns grupos grandes de pessoas, onde é permitido ofertas de emprego e busca por empregados, mas não aceito que ofereçam estas contas de venda e aluguel de aplicativos e nem de prostituição. Simplesmente excluo quem faz isto, pois são regras dos grupos. Há uns dois meses fui ameaçado por uma pessoa que oferecia mulheres e quando eu o exclui, ele quis me intimidar. Bloqueei ele e não tive mais notícias. Tenho também insistido com meus amigos que têm ou administram grupos de WhatsApp que não permitam estas coisas pois são crimes”, afirmou.

A venda ou aluguel de contas de aplicativos fraudulentas na comunidade brasileira acontece em todo o país, sem nenhuma cerimônia e via de regra, quem compra ou aluga tais contas sabe de antemão que cometem crimes contra a economia popular, mas parecem pouco se importar com as consequências.

Dicas

  • Não compre ou alugue contas de aplicativos que são oferecidas em grupos de WhatsApp ou redes sociais
  • Não compre ou alugue boots ou rôbos para acelerar suas vendas, caso você tenha uma conta de aplicativo
  • Se você usar, comprar ou alugar uma conta de aplicativo fraudada pode ser indiciado por conspiração, roubo de identidade ou fraude
  • Somente pode se registrar em um aplicativo de compras/Uber/Lift/Doordash quem têm carteira de motorista e social security
  • Não burle os sistemas legais, pois você pode ser processado por crimes federais
  • Todos os dias milhares de pessoas têm seus dados roubados por ladrões de identidade
  • Roubo de identidade é crime federal e se você for processado por isto, suas chances de legalização, caso uma lei imigratória seja aprovada por ser comprometida
  • Lembre-se que mesmo que você não tenha documentos, há inúmeros outros meios de ganhar dinheiro honestamente nos Estados Unidos
  • Para saber mais sobre roubo de identidade clique aqui.  

       

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