Dois brasileiros se declararam culpados na quarta-feira, 23, em conexão com uma conspiração nacional para abrir contas fraudulentas de aplicativos de serviços de transporte e entrega. Edvaldo Rocha Cabral, 42 anos, de Lowell, Massachusetts, e Julio Vieira Braga, 25 anos, de Daly City, Califórnia, se declararam culpados de conspiração para cometer fraude eletrônica e roubo de identidade agravado. As sentenças de ambos, serão anunciadas em 15 de junho de 2022 pelo juiz federal distrital em Boston, Mark l. Wolf.

Em maio de 2021, Cabral e Braga foram acusados, juntamente com 17 outros réus, de conspiração para cometer fraude eletrônica usando identidades roubadas e documentos falsificados para criar contas de aplicativos fraudulentas para aluguel ou venda para indivíduos que, de outra forma, não se qualificariam para dirigir.

De acordo com os documentos de acusação, os réus supostamente usaram as informações de identidades roubadas para abrir contas de motoristas nas empresas de compartilhamento de transportes e entregas – permitindo que eles passassem nas verificações de antecedentes exigidas pelas empresas e criassem contas de motoristas nos nomes das vítimas. Às vezes, os réus editaram as imagens da carteira de motorista roubadas para exibir fotos das pessoas que alugavam ou compravam as contas fraudulentas, a fim de contornar a tecnologia de reconhecimento facial que as empresas de aplicativos usam como medida de segurança. 

Os réus teriam obtido os nomes das vítimas, datas de nascimento, informações da carteira de motorista e/ou números do Social Security de co-conspiradores e outras fontes, incluindo sites na Dark Net. Os acusados e seus comparsas também obtiveram as imagens das carteiras de motorista diretamente das vítimas, fotografando os documentos enquanto completavam entrega de álcool através de um dos serviços ou durante a troca de informações com as vítimas em acidentes de trânsito provocados de propósito. Como resultado do esquema, os formulários 1099 do Internal Revenue Service (IRS) foram gerados nos nomes das vítimas referentes aos ganhos que os acusados obtiveram das empresas de aplicativo.

Em conexão com o esquema, Edvaldo Rocha Cabral admitiu que pagou a seus comparsas para alterar as fotos da carteira de motorista para exibir fotos de outros indivíduos, e usou esses documentos roubados para criar várias contas fraudulentas com as empresas de aplicativos e compartilhou com outros membros da quadrilha que também criaram contas fraudulentas. 

As contas fraudulentas criadas por Cabral eram anunciadas para venda ou aluguel em grupos no Facebook, no WhatsApp e Telegram, e o acusado gerenciava essas contas e impedia que fossem canceladas pelas empresas de aplicativos por fraudes. Além disso, também distribuiu um robô para usar em conexão com um dos aplicativos das empresas, o que permitia aos usuários “cortar a fila” e conseguir pedidos de compras de maior valor. Entre junho de 2019 e janeiro de 2021, Cabral recebeu mais de US$ 430.000 em pagamentos de aluguel de contas fraudulentas.

Julio Vieira Braga pagou a membros da quadrilha e outras pessoas para alugar ou comprar contas fraudulentas de aplicativos. Também obteve fotografias das carteiras de motorista de outros indivíduos enquanto realizava entregas de álcool para uma das empresas e usou essas fotografias para tentar criar contas fraudulentas com os nomes de outros indivíduos. Além disso, Braga permitiu que pelo menos um membro da quadrilha usasse sua conta bancária para receber receitas de aluguel ou venda de contas fraudulentas. Entre junho de 2019 e dezembro de 2020, Braga recebeu aproximadamente US$ 220.000 em pagamentos gerados com contas fraudulentas e pagamentos de aluguel de contas fraudulentas que foram direcionadas através de sua conta bancária.

Dezesseis dos réus foram presos em conexão com a conspiração e três continuam foragidos. Cabral e Braga são o terceiro e o quarto réus a se declarar culpados no caso, respectivamente. A acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica prevê uma sentença de até 20 anos de prisão, três anos de liberdade condicional e uma multa de US$ 250.000 ou o dobro do ganho ou perda bruta do produto do crime, o que for maior. A acusação de roubo de identidade agravado prevê uma pena de pelo menos dois anos de prisão a ser cumprida consecutivamente a qualquer outra pena imposta. As sentenças são impostas por um juiz do tribunal distrital federal com base nas Diretrizes de Sentença dos Estados Unidos e nos estatutos que regem a determinação de uma sentença em um caso criminal.

Jehozadak Pereira

By Jehozadak Pereira

Jehozadak Pereira, é jornalista profissional especializado em jornalismo comunitário e produção de conteúdo informativo e de utilidade pública. É ganhador de inúmeros prêmios e reconhecimentos pela qualidade do seu trabalho comunitário e voluntário. É o editor-chefe e principal articulista do A Notícia USA.

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