O A Notícia USA vai publicar nas próximas semanas uma série de reportagens abordando o tema da imigração indocumentada, dos perigos, dos efeitos e das dificuldades impostas pelas autoridades para que novos imigrantes cheguem todos os dias aos Estados Unidos e da necessidade de uma ampla reforma de imigração.

Ter documentos e status de legalidade nos Estados Unidos é um privilégio que é concedido pelas autoridades na medida em que elas julgam ser da conveniência delas e sem dúvida alguma que reconhecemos este privilégio, mas ressaltamos a injustiça que se comete, sem contudo questionar os seus méritos, principalmente porque todos nós trabalhamos e contribuímos para o engrandecimento ainda mais desta nação que acolheu e acolhe milhões de pessoas ao longo de décadas.

O grande paradoxo é que o povo que ajuda a fomentar progresso e construir estradas, pode comprar qualquer carro que esteja dentro das suas posses, mas não tem o direito a uma habilitação, pode registrar o carro, mas tem que deixá-lo parado na garagem, pois se dirigir vai transgredir a lei.

É claro que tudo isto faz parte de uma discussão muito ampla e complexa, mas nada impede que se possa discuti-la sim. Deve-se lembrar que a América sempre teve as suas portas abertas para povos de todos os lugares do mundo e foram os primeiros imigrantes que trataram de transformá-la na potência que é hoje.

Italianos, portugueses, gregos, chineses, africanos, sul e centro-americanos estão entre os povos que migraram para a América. Uns ficaram e contribuíram para o crescimento do país, outros desistiram e foram embora

Muitos povos diferentes fizeram da América a sua casa e deixaram os seus países para aportar na América e fixar aqui residência. Vieram às multidões. Até o final dos anos 1970 no século 20, quase seis milhões de italianos desembarcaram nos Estados Unidos, principalmente em New York City e arredores, onde dominaram bairros inteiros. Grande parte destes italianos eram semi-analfabetos, e sofreram preconceitos por professarem o catolicismo. Os italianos sofreram os desgostos da falta de planejamento e muitos desistiram do sonho americano e voltaram para a sua terra.

Até 1970, os Estados Unidos eram divididos entre brancos e negros e a partir daí a diversidade tomou conta e hoje os hispânicos ultrapassaram os negros em percentual étnico.

Os números da imigração são impressionantes. Entre 1892 e 1924 cerca de 20 milhões de imigrantes passaram pelo posto de controle de Ellis Island em New York, onde está situada a Estátua da Liberdade. Estes imigrantes imprimiram uma nova cara à América em costumes, muito trabalho ao passo que os filhos dos imigrantes que nasceram aqui, tinham um pé em alguma nação do mundo. 

Mesmo assim a imigração sempre foi um problema para os Estados Unidos, principalmente por falta de uma política definitiva que regulamentasse o assunto. Mesmo sendo um problema, a imigração sempre foi tolerada pelo governo americano e a cada ano que passa tende a aumentar cada vez mais.

A questão da imigração indocumentada ou ilegal como queiram muitos tornou-se mais evidente a partir dos anos 1990 e a década de 2000 por falta de uma política definitiva sobre o assunto. Há de se considerar a reabertura da Lei 245i em dezembro de 2000 e a partir daí, foram oitos anos de aridez do período de George W. Bush, os oito anos de Barack Obama e os quatro de Donald Trump, em cuja administração houve um aumento significativo da intolerância, do preconceito, da xenofobia e da manipulação por parte de supremacistas brancos e de racistas.

A partir dos anos 80, a imigração passou a ser feita através da fronteira com o México e mesmo com todos os riscos, perigos e violência dos traficantes de pessoas – os coiotes, milhões se arriscaram na travessia

Carente de mão de obra não especializada, os Estados Unidos destinam aos imigrantes os postos de trabalho que o americano – invariavelmente – jamais deseja. Com isto a oferta de empregos sempre foi maior que a demanda de mão de obra, sempre farta, pois o que nunca faltou foi imigrante chegando todos os dias aos milhares.

Hoje, grande parte destas pessoas estão nas sombras por falta de documentos, mas contribuindo com o seu suor e dinheiro para que a América seja sempre prospera. Claro que muito há para ser feito, e as autoridades podem e devem impor regras para corrigir este estado de coisas, o que é sim, um direito inquestionável, mesmo que algumas injustiças sejam cometidas, mas isto é para ser discutido em outra oportunidade.

Mesmo com toda a dificuldade que é imposta pelas leis de imigração ou da falta delas, todos os dias, milhares de pessoas se arriscam numa perigosa travessia.

São famílias inteiras que se aventuram e na maioria das vezes acabam presas, separadas em abrigos ou centros de detenção distantes. Muitas são mandadas embora.

Nas administrações de Obama e de Trump, famílias começaram a ser separadas, com uma intensidade maior no último governo. São milhares de pessoas deportadas todas as semanas, numa rotina interminável.  

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