Qual é o seu sonho? O que você espera do futuro? Dependendo do público alvo que você faça esta pergunta, ela vai ter resultados bem díspares. Vamos  fazer algumas análises da vida de dois meninos. 

Um menino adolescente mora numa comunidade, isto é, numa favela. Sua casa é um barraco misto de madeira, algum concreto e alguns pedaços de papelão… O esgoto cai num valão nos fundos da casa. Não há esgotos sanitários. Tudo vai direto para o valão…

Este menino para chegar até o seu barraco, passa por vielas controladas pelo tráfico ou pela milícia. Nos seus 16 anos ele não sabe como vai fazer para sobreviver. Sua mãe têm outros filhos. Já teve alguns companheiros que não permaneceram. Fizeram filhos e desapareceram.

Faz biscates. Passa o dia colhendo latas, latinhas de cerveja principalmente. Depois troca num lugar que é misto de ferro velho e depósito de material reciclável. Deixou de estudar. A Escola do ‘bairro’ fica lá no início da comunidade/favela onde mora. 

A rotatividade de professores na Escola é imensa. Boa parte dos professores e das professoras mudaram da escola recentemente porque o prédio, já tão maltratado e mal conservado, frequentemente é invadido pelos componentes de uma outra facção e até da milícia. Tiros e correria.

Então o menino achou que era tempo perdido ir a Escola, precisava buscar material reciclável para vender e fazia alguns serviços para os milicianos ou para os traficantes, pois tem muito medo de morrer, podendo ser até vítima de uma bala perdida.      

Tem um outro menino. Outra história. Mora num condomínio de classe média. Sua casa é ampla. Dois pavimentos. Tudo de bom e melhor para o conforto do adolescente e de sua família. Estuda numa Escola particular. Sua Escola está antenada com as tecnologias. Tudo facilita que ele estude e que aprenda a fazer parte do setor produtivo.

Os professores são estimulados a produzirem o que podem compartilhar, usam todos os recursos que a Escola oferece para darem o melhor. As férias são passadas em praias famosas e em hotéis ou pousadas de padrão. Já foi até para os parques em Orlando, na Flórida.         

Estas duas realidades são visíveis na sociedade brasileira.

Em alguns anos tempos quais destes dois meninos estarão bem empregados ou até sendo empresários?

Como podemos falar de esperança para o menino da comunidade/favela? Como levar o outro menino de classe média, a compartilhar suas oportunidades e seus conhecimentos?

Um ouve falar muito pouco de esperança pois realidade dele é, no dia a dia, recolher o que a família do outro menino considera como lixo. Outro tem uma visão da esperança como algo que vai ampliar seus espaços e oportunidades.

Esta história deve nos levar a pensar num país diferente. Um país que proporciona oportunidades iguais para todos. Então, fundamentados em nossos melhores sonhos e anseios, precisamos entender que nosso país só será grande quando a esperança for igual para todos…

Foto da capa: Jehozadak Pereira/A Notícia USA

Doriscelio de Souza Pinheiro

By Doriscelio de Souza Pinheiro

Doriscelio de Souza Pinheiro, é carioca de São Fidelis e mora em Volta Redonda, Rio de Janeiro. É pastor Batista desde 1971; professor de História no Ensino Médio, Sociologia e Filosofia. É teólogo; pós graduado em Metodologia no Ensino Superior; Pedagogo; Mestre em Teologia; Psicanalista; pós graduado em Ensino de Sociologia e Filosofia e pós graduado em Psicopedagogia. É cronista e poeta

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *