Com temperaturas entre os 90 F e os 100 F, o calor em San Antonio, Texas, é sufocante e em poucos minutos debaixo do sol, é o suficiente para provocar insolação e até a morte. Se uma pessoa estiver trancada na carroceria de um caminhão, a potencialização pode ser a morte por asfixia e sufocamento. Certamente foi isto o que aconteceu no interior da carroceria do caminhão vermelho que foi abandonado com mexicanos, hondurenhos, guatemaltecos e outras nacionalidades à própria – má – sorte.

O resultado é até o fechamento deste texto de 51 mortos e 16 pessoas feridas, sendo que entre os mortos há crianças. O que estas pessoas faziam dentro da câmara da morte? Tentavam entrar nos Estados Unidos via fronteira com o México, que protagoniza nos últimos anos uma crise humanitária sem fim e sem solução a curto prazo.

De acordo com as autoridades, os corpos estavam empilhados uns sobre os outros e o que restou mais uma vez é a falta de explicação factível que justifique que tantas pessoas percam a vida nestas travessias mortais.

Desafortunadamente, desta vez as mortes aconteceram no Texas, governado pelo republicano Greg Abbott, que culpa a atual administração pelo infortúnio de milhares de pessoas que se arriscam na busca de uma vida melhor e mais digna para si e para suas famílias.

Tais pessoas ficam à mercê de traficantes de pessoas que visam unicamente o lucro desmedido sem se importar com a segurança de quem está confiando suas vidas a eles. O vácuo legal que existe com a falta de uma lei de imigração que jamais segue adiante no parlamento dos Estados Unidos faz com que o desespero tome conta de milhares de pessoas que todos os dias sem lançam em aventuras macabras e funestas.

Não há solução. Não há perspectiva de que isto mude nos próximos tempos pois nada parece comover os parlamentares de que uma reforma de imigração é premente. Enquanto isto continuam fazendo vistas grossas e passado o pasmo e o clamor público por mais uma tragédia que poderia ter sido evitada.

Não adianta jogar a culpa sobre o outro, a responsabilidade é de quem governa e de quem faz e aprova leis, que neste caso fazem falta. 

A imigração – principalmente a ilegal – sempre foi um problema para os Estados Unidos, pela falta de uma política definitiva que regulamentasse o assunto. Mesmo sendo um problema, a imigração sempre foi tolerada pelo governo americano e a cada ano que passa aumenta cada vez mais. A questão da imigração indocumentada ou ilegal como queiram muitos tornou-se mais evidente a partir dos anos 1990 e a década de 2000 por falta de uma política definitiva sobre o assunto. Há de se considerar a reabertura da Lei 245i em dezembro de 2000 e a partir daí, foram oitos anos de aridez do período de George W. Bush, os oito anos de Barack Obama e os quatro anos de gritaria, estridência e perseguição da administração Trump, período que teve um crescimento da intolerância, do preconceito, da xenofobia e da manipulação por parte dos conservadores fazendo todo tipo de pressão para que nada, absolutamente nada fosse feito. 

Carente de mão de obra não especializada, os Estados Unidos destinam aos imigrantes os postos de trabalho que o americano – invariavelmente – jamais deseja. Com isto a oferta de empregos sempre foi maior que a demanda de mão de obra, sempre farta, pois o que nunca faltou foi imigrante chegando todos os dias aos milhares. 

Grande parte destas pessoas estão nas sombras por falta de documentos, mas contribuindo com o seu suor e dinheiro para que a América seja sempre próspera. Claro que muito há para ser feito, e as autoridades podem e devem impor regras para corrigir este estado de coisas, o que é sim, um direito inquestionável, mesmo que algumas injustiças sejam cometidas, mas isto é para ser discutido em outra oportunidade.   

Enquanto isto não acontecer é de se esperar que tantos caminhões vermelhos sejam abandonados no meio do nada debaixo de temperaturas que beiram os 100 F lotados de pessoas que buscam dias melhores, mas que acabarão morrendo abandonadas à própria – má – sorte… 

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Jehozadak Pereira

By Jehozadak Pereira

Jehozadak Pereira, é jornalista profissional especializado em jornalismo comunitário e produção de conteúdo informativo e de utilidade pública. É ganhador de inúmeros prêmios e reconhecimentos pela qualidade do seu trabalho comunitário e voluntário. É o editor-chefe e principal articulista do A Notícia USA.

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