Na coluna anterior, abordei o tema Respeito, e desta vez vou apresentar-lhes uma parceira que tem ligação direta e complementa a amplitude do Respeito, estou falando de Ética, que é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. Num sentido menos filosófico e mais prático podemos compreender um pouco melhor esse conceito examinando certas condutas do nosso dia a dia, por exemplo, ao comportamento de alguns profissionais e expressões como: ética médica, ética jornalística, ética empresarial, ética pública, etc.

A ética pode ser confundida com lei, ainda que, com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos, mas diferente da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; mas a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética.  

Ética e moral são temas relacionados, mas são diferentes, porque moral se fundamenta na obediência a normas, costumes e ou mandamentos, sejam eles: culturais, hierárquicos, religiosos, já ética, busca fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano, ela não se resume à moral,  mas busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver; o melhor estilo de vida. 

A Mente ÉTICA, busca cumprir as responsabilidades como trabalhador e cidadão. Porém, os seres humanos, possivelmente, nunca haviam sido exigidos com tanta intensidade em relação às incertezas do futuro, pois as mudanças culturais e de tecnologia fluíam de maneira mais lenta em tempos passados. Atualmente, a velocidade das mudanças nos coloca frente a frente, cada vez mais, com o grande medo que o futuro é capaz de mobilizar: a incerteza, o não controle, deste desenvolvimento humano diferenciado, apontando para um futuro onde sejamos capazes de pensar mais no We (nós) do que no My (meu). 

Ou seja, a coletividade será cada vez mais necessária, visto que, todos estamos incluídos, queiramos ou não, nesta maravilhosa aldeia global. Segundo, Mario Sérgio Cortella, um filósofo brasileiro muito envolvido com as questões educacionais, afirma que “a decisão em um dilema é sempre individual, mas suas consequências podem afetar muitas outras pessoas”. Este pensamento referenda a ética como uma questão que deveria permear toda e qualquer relação entre as pessoas, pois se preciso tomar uma decisão acertada para minha vida, ela não vai, necessariamente, significar que eu deva escolher sempre o que é bom para mim, pois muitas vezes isto pode significar o mal-estar ou o malefício a outros. Para ilustrar este fato, cito o exemplo de uma pessoa que precisa decidir-se por uma vaga de emprego que, necessariamente, vai lhe trazer o afastamento de um cargo o qual ocupa há algum tempo. 

A nova função ofertada pode lhe soar, primeiramente, como uma grande oportunidade de mudança, de respirar ‘novos ares’ ou, até, de conviver com novos colegas. Porém, a empresa onde está lhe oferece há algum tempo as condições necessárias para crescer, o ambiente adequado,  para sentir-se valorizada e uma remuneração bem razoável em termos salariais. Além de tudo isto, esta pessoa terá de fazer um número maior de horas em sua carga semanal, deixando de lado projetos pessoais e a vida familiar, o que pode lhe custar bem caro, mas até é aceitável dentro da visão de aceitar novos desafios. 

E a empresa a qual hoje ela serve pode enfrentar problemas por ficar sem a sua participação. Pois bem, esta é uma situação em que o dilema da pessoa que gostaria de aceitar a vaga pode produzir mal estar para outras que com ela convivem. A mudança poderia ser vista como algo significativo e motivador, mas ela traria outros problemas a ela mesma e às pessoas com quem se sente compromissada. O resultado desta pequena história é que a pessoa em questão não aderiu à nova vaga, ao desafio de mudança. Ela levou em conta alguns aspectos importantes de compromisso com o outro, além, é claro, de visualizar que onde está também pode enriquecer seus desafios e metas pessoais. 

Será que este relato pode soar como uma utopia? Ou como um exemplo simplista entre tantos outros que poderiam ilustrar a questão da ética? Não, apenas foi utilizado por fazer parte de realidades como a de tantos outros profissionais e para deixar bem claro que enfrentamos, sim, dilemas éticos em situações do dia a dia, da vida cotidiana. Estamos tantas vezes preocupados em analisar a ética na política ou em casos jornalísticos importantes. Mas, será que paramos para visualizar o que ocorre todos os dias ao nosso lado ou em relação a nossas atitudes? Visualize exemplos de sua vida, todas as horas do dia, bem como das pessoas com quem conviveu no dia e tire suas conclusões. Sempre é tempo de rever certos comportamentos e aprender com erros e acertos.

 Use o que de bom já fez para modificar as coisas que ainda lhe perturbam a consciência!  Nossas escolhas podem demonstrar aos outros quem somos e quais nossos  reais objetivos.

Eliana Ignacio

By Eliana Ignacio

Eliana Ignacio é Psicóloga formada pela PUC - Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica. É especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo, Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas; especializada em Atendimento Familiar pelo Grupo Mineiro de Psicologia Humanista. IFL - Instituto Fraternal de Laborterapia em São Paulo. Psicoterapia - Holística. FEBRACT- Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas. DENARC Departamento de Investigação sobre Narcóticos. Conselheira junto ao núcleo de Psicologia Social e Políticas Públicas do Alto São Francisco. Conselheira junto ao SENAD - Secretaria - Nacional de Políticas sobre Drogas - Governo Federal.

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